“Não se Sustenta” acontecerá em Ipanema durante Rio+20

 

“Não se Sustenta” acontecerá em Ipanema durante Rio+20

Cartazes e faixas escritas nas línguas portuguesa e inglesa para chamar a atenção do mundo, bandeiras, encenações e muitas outras formas de protestos serão apresentadas no próximo domingo, 17 de junho, no Posto 8 (Ipanema), a partir das 11h, pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) e membros de toda a sociedade que querem aproveitar a Rio+20 e a presença de vários chefes de estados na Cidade Maravilhosa pelo fim de qualquer tipo de discriminação e perseguição. “Não se Sustenta” visa a mostrar que a sociedade brasileira não permite violência, mentiras, desrespeito e sentimentos de ódio. Foi incorporada pela Cúpula dos Povos e seguirá o mesmo formato das caminhadas em Defesa da Liberdade Religiosa, realizadas em setembro, na Praia de Copacabana. O movimento tem o apoio do Afro Reggae e do Grupo Arco-Íris – Cidadania LGBT.

Para o interlocutor da CCIR, babalawo Ivanir dos Santos, a atividade tem o intuito de conscientizar que ainda há muitas pessoas perseguidas em todo o mundo por conta da opção religiosa. “Não é concebível que exista intolerância em qualquer lugar. Todos têm o direito de acreditar no que querem, e até mesmo de não crer. Há perseguição contra seguidores da Fé Bahá’í, judeus, muçulmanos, integrantes de religiões de matrizes africanas, entre outras. Nenhum segmento é melhor que outro, e os regimes que impõem qualquer fé a uma nação precisam rever isso”, diz.

O historiador e membro da instituição judaica Hillel Michel Gherman alerta que há a necessidade de cuidados com o discurso do ódio. “Quando você desumaniza alguém ou um grupo, trabalha com o discurso do ódio, o que é perigoso para todas as sociedades. Negar o Holocausto, por exemplo, é o mesmo que negar a escravidão, é uma aberração não só contra judeus, mas contra a humanidade. Não podemos admitir que esse pensamento seja referência política em qualquer momento ou lugar”, declara.

Manifesto não direcionado

Uma das representantes da Fé Bahá’í na Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Marilúcia Pinheiro explica que o manifesto para seu segmento não se direciona a uma única pessoa, mas para a necessidade de conscientização de todos em relação a qualquer forma de perseguição. “A Fé Bahá’í mantém a convicção espiritual de que a aproximação entre as nações é algo positivo no processo de amadurecimento da civilização humana. Por esse motivo, não nos posicionamos contrários à vinda de nenhum chefe ou representante de Estado a reuniões como a Rio+20. Ao contrário, estimulamos o diálogo e a consulta em todos os níveis, favorecendo a tomada de decisões que beneficiem a unidade e o desenvolvimento dos povos do mundo. Esta manifestação é uma grande oportunidade para reafirmar o compromisso da sociedade e instituições brasileiras com os Direitos Humanos, com a paz e as liberdades fundamentais”, afirma.

Segundo Julio Moreira, secretário do Fórum de Grupos LGBT do Estado do Rio de Janeiro, a Rio+20 é uma oportunidade ímpar para chamar a atenção e se manifestar contra a intolerância que predomina em determinadas nações, inclusive contra a população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT). “Dos 193 Estados-Membros da ONU, 40% ainda criminalizam a homossexualidade. São 78 países em que é crime. Em maioria, regimes teocratas e fundamentalistas. Ainda, em cinco nações (Arábia Saudita, Iêmen, Irã, Mauritânia e Sudão) e partes da Nigéria e da Somália, a homossexualidade é punida com a morte. Por isso, o Fórum LGBT RJ, juntamente com a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais (ABGLT), apoia esta manifestação, fazendo coro contra toda forma de intolerância, fundamentalismo e teocratismo do Estado”.

São esperados cerca de 5 mil manifestantes de todas as religiões, ateus, agnósticos e representantes da sociedade em geral, com faixas, cartazes, além de quatro árvores cenográficas com quatro metros de altura, contendo mensagens de protestos.

 

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