A Juventude como lugar teológico: um problema para a estrutura hierárquica?

André Barroso
Fórum D. Hélder Fé e Diálogo

 

 

 

Juventude

Comparando a juventude da década de 1960 com a atual, a primeira buscava maior liberdade e alternativas para uma mudança radical de vida e dos rumos da humanidade, usando o protesto como sua maior arma. A geração atual busca uma colocação na sociedade, incluir-se neste processo cada vez mais acirrado de competição. A luta hoje é por melhor qualificação e melhores empregos. E, quando este jovem se vê excluído, é alvo fácil, nas comunidades mais pobres, da atuação do tráfico de drogas, e, nas classes médias, as gangues de lutadores e, em alguns países, o ressurgimento de movimentos neofascistas e neonazistas.

Posta a provocação inicial, por que os jovens estão cada vez mais desinteressados do processo religioso, ou, o que é pior, aderindo a modelos religiosos fundamentalistas? Não seguindo os preceitos que embasam doutrinalmente tais instituições, pois o que está errado seria a apatia “natural” dos jovens em relação à demanda social ou o modelo de Igreja apresentado não traz qualquer motivação para a participação do mesmo?

O que mudou no que diz ao catolicismo, na história de engajamento da juventude na Igreja a partir da chamada Ação Católica (JAC, JEC, JIC, JOC e JUC) que deu origem à Pastoral da Juventude. As lutas e demandas atuais são de outra ordem, e a vontade de transformar socialmente a sociedade foi substituída pelos medos que compõem a agenda da sociedade em geral e da juventude em particular?

Como gestar essas novas demandas e uma juventude mais crítica e capaz de ser protagonista de transformações, pois se a CNBB, na figura de seus bispos reconhece que “eles mesmos estão distantes da juventude e ainda não sabem como ‘chegar’ e comunicar a essa grupo importante e significativo em nossa sociedade.

Assim, a partir de então, a própria PJ da Arquidiocese trilha por um novo rumo, pois, segundo seu bispo responsável, “A PJ é um grande guarda-chuvas, em que todos os movimentos de jovens da Igreja Católica serão contemplados”. O que se observou foi a descaracterização de uma pastoral que possuía uma organização em nível até mesmo internacional, e seus componentes tentando criar meios de “salvar” a estrutura anterior, criando grupos paralelos e o movimento chamado “Leste ZERO”, caracterizando-se como uma tentativa de “refundação” da PJ no Rio de Janeiro. Esta PJ paralela funcionou por mais um ano, mas a estrutura de representação regional e nacional não comportava tal estrutura.

 

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