A Umbanda é dinâmica e diversa

 

A Umbanda é dinâmica e diversa

A Umbanda prescinde da ideia de Zambi, o Pai todo poderoso. É uma religião espiritualista, científica e filosófica, difundida no Brasil, inserida no panteão africano, somada ao resgate terrestre dos desencarnados e forçada à doutrina dos santos católicos, para ter, no passado, a permissão de seu culto. É uma religião que mistura várias doutrinas, uma diversidade de cultos.

Sua origem é polêmica. Mas o que nos importa, uma vez que não temos como comprová-la? Foi oficializada por Zélio Fernandino de Moraes. Hoje, a Umbanda é uma religião que está reunindo adeptos de todo o mundo. É praticada por eles com convicções firmes, de elevar o seu conceito a todos que têm ou não o conhecimento dela.

O mote da Umbanda é a caridade. Muitos acreditam ser ela a religião do futuro, e que “permanecerá para toda eternidade”, quiçá tenham eles, razão. A certeza que temos é ser ela uma religião atuante, dinâmica, liberta de dogmas e que traduz, em seu manancial, a liberdade de cultos. Nenhuma doutrina de Umbanda é melhor que a outra, pois a finalidade primordial de todas elas é a caridade. Por que comparar doutrinas, se a intenção é ajudar o Homem a buscar energias sobrenaturais para alcançar os seus objetivos? Se nessa busca, o primordial for o bem, não importa de que doutrina ele venha. A Umbanda deve ser vista sem os falsos preconceitos e mentiras que tanto deturpam-na. E por que não reunir todas as maneiras de cultuá-la para defendê-la? Os verdadeiros umbandistas visam a propagar uma doutrina de caridade e ficam insatisfeitos perante os ataques de outras religiões e até mesmo dentro dos vários segmentos de Umbanda. Por que não mudar esse rumo?

O nosso modo de entender e cultuar a Umbanda é tão simples como todas as obras da natureza, criada pelo nosso Pai Supremo. Aliadas à força espiritual que possuem ao desejo de serem úteis ao homem em provação na Terra, as falanges benfazejas da Umbanda trabalham não só para o progresso material, mas também o moral e espiritual da humanidade. Assim, na terra, no mar, no ar, nos rios e nas cachoeiras, na grande mata, nas praias, nas ferrovias e nas rodovias, nas ruas, no subsolo, enfim, em cada canto dessa Orbi, haverá sempre uma entidade de sentinela, disposta a trabalhos disciplinadores, agindo num sentido de justiça e elevação. Esses são os Sítios Sagrados, lugares onde se praticam a magia e onde as religiões de matriz africana costumam atuar.

Por serem aqueles, os Sítios Sagrados da Umbanda, devem ser respeitados e limpos. A Umbanda é uma religião que está sempre em evolução. Esta é uma de suas virtudes. Por ter ela a evolução, respeita o meio ambiente. O mundo evoluiu, o homem desmatou o meio ambiente, poluiu-o e, hoje, tenta resgatá-lo, recuperando-o. A Umbanda acompanha essa evolução. Através de suas entidades e de seus chefes de terreiros, existe já um grande alerta em relação às oferendas que sujam e danificam esses Sítios. E aqueles que passam por lá, colocando os seus olhares preconceituosos, alteram ainda mais o modo de enxergar a nossa religião. A Umbanda está alerta ao novo movimento de reeducação, levando a consciência de que não devemos sujar as ruas, deixando garrafas, alguidares e outras oferendas expostas àqueles olhares. Mais uma vez, ressaltamos que as nossas entidades já estão nos alertando sobre a necessidade de resgate do meio ambiente. A Umbanda foi, por muito tempo, não só mal praticada, como mal compreendida. Está mais do qu na hora de haver mudanças em seus rituais.

Os pensamentos dos religiosos de Umbanda é, cada vez mais, elevar o conceito dessa religião, pois sofrem todos os ataques de pessoas maliciosas, que a encaram como uma religião de falsos princípios e de credos mistificados, acusando-a de práticas de feitiçarias. Todos que isso afirmam não têm o conhecimento da verdadeira e sublime religião que é a Umbanda. Ela está aqui para ajudar a todos na trajetória espiritual e terrestre.

A humanidade sempre sofreu grandes dificuldades e sofrimentos sem fim. Porém, se olharmos por outro ângulo, é a condição própria de cada um de nós. Quem procura a Umbanda só faz amenizar o sofrimento e quiçá exterminá-lo, pois temos que buscar condições melhores para nossas vidas. E essa procura está dentro de cada um de nós. Temos que nos apoderar de um sentimento que se defina numa força criadora, própria do homem, a fonte criadora da vontade, que se traduz no poder da mente. A finalidade de quem procura a religião de Umbanda é diversa: bens materiais, espirituais, saúde e outras mais. De nada adiantará tudo isso aos que não possuem uma energia própria, de querer e ansiar por uma força maior, mental e principalmente estarem acobertados por uma força superior que lhe mostre a direção, pois, se tudo isso não tiver no contexto divino, a Umbanda e qualquer outra religião resolverão nada disso. Ela é magia, e esta deve estar ao lado de todos esses requisitos. A magia depende da força do pensamento da pessoa que a faz e daquela que suplica.

Façamos sempre uma prece ao chefe supremo Obatalá para que ele nos encaminhe e nos mostre, através da senda luminosa, o verdadeiro trajeto da fé. Com todos os protetores da nossa querida Umbanda, junto aos queridos mandingueiros, pretos-velhos, com a vibração de nossos habitantes das florestas, os caboclos, e a força pueril de nossos erês, teremos uma Umbanda fortalecida e livre de preconceitos. Salvemos a nossa Umbanda.

Maria Cristina Marques é professora estadual e municipal de Macaé, Especialista em Língua Portuguesa, Latina e Cultura Africana. Coordenadora do Núcleo de Estudos de Educação e Diversidade Etnicorracial da Funemac NEEDE.

 

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