Aniversário da Polícia Civil comemorado com muita emoção em ato inter-religioso

 

Aniversário da Polícia Civil

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) realizou ato inter-religioso pelos 203 anos da Polícia Civil, na manhã de hoje, 10 de maio, no auditório da 5ª DP. Além de representantes religiosos e da chefe da instituição, Marta Rocha, vários inspetores, delegados e profissionais da segurança assistiram à cerimônia, que, por diversas vezes, lembrou a importância do respeito, da dignidade e da união da sociedade para um mundo menos violento. Wiccanos, católicos, candomblecistas, anglicanos, judeus, muçulmanos, umbandistas, kardecistas, hare Krishnas, adeptos do Santo Daime, entre outros levaram mensagens de agradecimentos e congratulações pela data.

A chefe da Polícia Civil agradeceu emocionada a todos os presentes e declarou que a Polícia não pode ter preconceitos. Dessa forma, ela emendou com um pedido. “Nem tenho palavras para agradecer tamanho carinho de todos. Costumo dizer que sou uma chefe de Polícia muito possessiva, porque são meus policiais, minha Polícia. Com isso, quero que todos saibam que nossa entidade quer ser a Polícia dos homens, das mulheres, das crianças, dos jovens, daqueles que não estão tão mais jovens assim e de todos, enfim. A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro não restringe. Quero que cada um saia daqui hoje e se lembre, diariamente, que, ao final de cada dia, vários homens e mulheres demonstram atos de coragem. Peçam sempre por eles!”.

Em meio ao ato, a fundadora da Comissão e representante da Umbanda, Fátima Damas, leu um trecho de um jornal de 1960 muito emocionada. Na reportagem, a Polícia perseguia religiosos da Umbanda e do Candomblé. “A atitude da Drª Marta (por convidar a Comissão) é um marco e ficará para a história. Eu, que sofri tantas perseguições, nunca imaginei estar aqui, na casa da Polícia Civil. É realmente uma atitude muito corajosa. Quero trazer meus parabéns não só para a chefe da Polícia, mas para cada profissional dessa instituição que coloca sua cara a tapa para garantir nossa segurança”, disse a fundadora da CCIR, que entregou flores a Marta Rocha pela data comemorativa.

O interlocutor da Comissão, babalawo Ivanir dos Santos, ressaltou o trabalho do delegado Henrique Pessoa junto ao grupo e também agradeceu pela oportunidade. “O Henrique Pessoa nos acompanha desde o início e, se o trabalho dele não tivesse qualidade, não estaríamos aqui. Poucas pessoas conhecem o Candomblé a fundo. Ao verem um traficante com uma guia no pescoço e saberem que algumas pessoas procuram usar a religião para a desunião ou desarmonia, pensam que isso é típico de candomblecistas. Quero que saibam que, para o Candomblé, esse tipo de atitude está completamente fora de conduta. O Estado é laico, mas ainda apenas pastores e padres entram nas penitenciárias de nosso País para levar palavras aos detentos. Sem dúvidas, o fato de estarmos aqui hoje representa um novo começo”, disse o babalawo, que lembrou a necessidade de opção religiosa não ser um motivo para que policiais persigam outras pessoas. “Alguns profissionais neopentecostais que misturam as coisas devem saber que a obrigação é de proteger e não perseguir, pois somos livres para escolher nossos caminhos”.

Mensagem do Budismo
Em meio às palavras de vários segmentos, o cerimonialista leu uma pequena carta de Antonio Rocha, representante dos budistas na CCIR.

Agradeço honroso convite para as comemorações dos 203 anos da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Desta vez, meu segmento religioso não estará presente no plano físico, mas está em oração e mentalmente, rogando ao Buda Primordial pelas melhores bênçãos e proteção para todos os membros desta tão respeitada instituição e seus familiares. Feliz Aniversário! O trabalho da PCERJ é muito importante para a sociedade. Nossas reverências e gratidão. Respeitosamente, cumprimentamos a Srª Marta Rocha e demais servidores na pessoa do delegado Dr. Henrique Pessoa, membro da Comissão”.

O sacerdote bruxo Og Sperle também parabenizou a todos os policiais e se disse orgulhoso por representar seu segmento naquele momento. “Sinto-me muito feliz por representar a religião Wicca neste dia. Desejo sucesso para tão honrada instituição e quero dar os parabéns por serem pioneiros nesta ação”, declarou.

Represento hoje o Conselho Espírita do Estado do Rio de Janeiro (CEERJ) e felicito a Polícia Civil por mais um ano de existência. Fiquem com meus votos de paz e sucesso em todas os trabalhos realizados por vocês”, disse Cristina Brito, religiosa kardecista.

Diane Kupernam, diretora da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) para o Diálogo Inter-religioso declarou que também achava a data histórica para o Brasil. “É uma satisfação imensa estar aqui. Este ato inter-religioso marcará a história, e espero que se repita ao longo dos anos. Parabenizo-os por toda Comunidade Judaica”.

Comparação: muçulmanos e policiais
É algo inenarrável estar aqui. No entanto, gostaria que todos refletissem sobre o que vou dizer. Sabemos que há pessoas ruins por toda parte. Nós, muçulmanos, temos vivido dias de muitas angústias por nos tacharem de coisas que não somos. Isso também acontece com policiais. Gostaria muito que aproveitássemos este ato para tirar más impressões que possam ferir a qualquer religioso e qualquer profissional. Os policiais, assim como meu segmento, enfrentam muito preconceito. Chegou a hora de acabarmos com isso”, ressaltou Fernando Celino, da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro (SBMRJ).

Para Dom Filadelfo, da Igreja Anglicana, é preciso valorizar todas as instituições para que se minimize a violência em todo o mundo. Ele aproveitou o ato na Polícia Civil para deixar uma palavra de alerta. “Quando pensamos na polícia, pensamos em segurança. Assim, pensamos no que podemos fazer, então, pelo bem-estar da sociedade em geral. Creio que toda e qualquer instituição religiosa tem o dever de educar para que atos violentos tenham fim. É preciso se dar conta dos potenciais das instituições religiosas, e a Polícia Civil tem demonstrado isso. Parabéns e muito sucesso a todos dessa casa”, disse.

Já o padre Fábio Luiz, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, indicou que, há pouco, os católicos celebraram a Páscoa e, a partir dessa data, lembrou passagens bíblicas. “Trago uma saudação de nosso arcebispo, Dom Orani Tempesta. Ele se emana com cada um de nós e traz votos de parabéns e paz. Nesta época do ano, lembramos quando Jesus multiplica os pães. Ele falou: ‘Daí a vós mesmos o de comer’. Jesus disse para servir o povo. A fome é de paz, segurança e, certamente, a Polícia se dá como alimento de paz. Obrigado por isso“.

O representante dos seguidores do Santo Daime, Cláudio José Miranda, também não escondeu sua satisfação em estar ali. “Sinto-me muito feliz em saber que posso contar com uma Polícia sem preconceitos. Nossa doutrina é a segunda genuinamente brasileira. Parabéns por essa atitude de coragem da Polícia Civil”.

Raga Bhumi, dos Hare Krishnas, felicitou a instituição e convidou a todos para a Quarta Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa. “É muito bom estar aqui e poder conhecer pessoas tão importantes para nossa sociedade. Quero aproveitar para convocar a todos para a próxima caminhada, em 18 de setembro. Acredito que, unidos, construiremos uma sociedade melhor”.

Ao final, cada sacerdote recebeu um livro da História dos 200 anos da Polícia Civil das mãos de um profissional da PCERJ.

Fotos de Carlos Júnior

 

Comissão de Combate à Intolerância Religiosa

Ricardo Rubim – Coordenador de Comunicação CCIR/RJ
Tel.: 21 7846-0412 / 21 2273-3974

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