ANMA promove seminário sobre mídia e religiosidade em Nilópolis

No dia 21 de março, dezenas de pessoas compareceram à Câmara Municipal de Nilópolis e participaram do seminário “Religiosidade Afro na Mídia”, promovido pela Associação Nacional de Mídia Afro (ANMA). A proposta era discutir a utilização, na mídia, de termos pejorativos que possam banalizar ou difamar a imagem dos rituais das religiões de matriz africana. Estiveram presentes à mesa de debates o presidente da ANMA, Pai Marcio de Jagun; o vice-presidente Pai Renato de Obaluaiye; a diretora cultural Mãe Ignez de Iansã; o diretor financeiro Pai Sérgio D’Giyan; o diretor institucional Jorge Damião; e o coordenador de comunicação do CEAP, Ricardo Rubim.

De acordo com Damião, é interessante observar que o poder da grande mídia está nas mãos dos mais afortunados, porém longe daqueles que ajudaram a construir o País. “A ANMA tem um papel muito importante em relação à luta pela liberdade religiosa no espaço midiático. O que nós percebemos hoje é que uma parte desta mídia está nas mãos dos poderosos. A outra está nas mãos de maus evangélicos, que utilizam este espaço para sujar a imagem das religiões de matriz africana. Ainda é preciso mostrar que o preconceito religioso persiste e deve ser combatido por toda a sociedade. É aí que entra a questão da aplicação da Lei 10.639/03, que além de versar sobre o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, ressalta a importância do negro na formação da sociedade brasileira”, falou Damião.

Trabalho

 

Para Mãe Ignez, a associação é fruto do esforço de veículos de mídia afro, com cunho religioso ou não. “Percebemos a necessidade de modernizar, valorizar e aperfeiçoar a forma de fazer mídia destinada à população afro-brasileira”.

Já para Pai Marcio, a visão política que se faz da mídia afro é de que ela não teria conteúdo. “A mídia é o veículo através do qual as pessoas se comunicam, e ainda que velado, há dentro dela um discurso preconceituoso. Os nossos valores e o nosso sagrado chegaram e foram colocados aqui no Brasil como o rodapé da sociedade. A Igreja Católica, por exemplo, reconhecia que o negro escravizado não tinha alma”, afirmou.

Pai Sérgio acredita que a mídia tenha sido repartida de acordo com interesses econômicos, e traçou-se uma analogia com as Capitânias Hereditárias. Para reforçar sua tese, explicou como é feita a concessão aos canais de televisão e apresentou um dado interessante. “Hoje, existem 11 canais de televisão concedidos aos neopentecostais, outros seis concedidos aos católicos e rigorosamente nenhum para religiosos de matriz africana. Antigamente, era possível vermos programas sobre a nossa religião, tal qual minisséries inspiradas em obras de Jorge Amado, por exemplo. Por que isso não acontece nos dias de hoje? Estaríamos sofrendo um processo de evangelização?”, indagou.

Apesar de todos os questionamentos propostos no seminário, Ricardo Rubim afirmou ter uma visão positiva sobre uma mudança no comportamento da mídia com os religiosos de matriz africana. “Os esforços de instituições que surgiram há pouco tempo, assim como a ANMA e a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), estão, aos poucos, modificando a forma de profissionais dos meios de comunicação enxergarem a questão. A aplicação da Lei 10.639/03 é, sem dúvidas, o maior desafio para o Brasil, pois é, através dela, que os brasileiros conhecerão o verdadeiro valor do negro e sua cultura”, finalizou.

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