Apenas pela educação se pode lidar com a relação racial

No terreiro de Candomblé a expressão religiosa é a parcela mínima. Na verdade,  ali estão formas de luta que podem mudar a correlação de forças na sociedade. Observação nesse sentido foi feita por Silvanyi Eclênio, da Secretaria Especial de Políticas de Igualdade Racial (Seppir), na Roda de Conversa intitulada Racismo e Religião, no Congresso História, Experiências Religiosas e Democracia.

A Filósofa Helena Teodoro afirmou, na mesma roda que a educação é a única forma de lidar com a complexidade da relação racial. Ela disse se trata de parte de um modelo que precisa ser construído. Disse ainda que, para isso, há necessidade de ter consciência política. Ressaltou que na mídia e na escola se incutem idéias desvalorizam os negros e as negras.

 Ao comentar sobre a aproximação de pessoas de confissão pentecostal de militantes do Movimento Negro com o objetivo de afastá-los de religiões de matriz africana Helena Teodoro recordou que é uma prática antiga. Salientou que o Movimento Negro deve ter abertura para se relacionar comas religiões de origem africana.

Silvanyi Eclênio lamentou que o Estado não vai fazer acontecer a Lei 10.639/03, que obriga a rede escolar a ensinar História da África e Cultura Negra. A executiva da Seppir acrescentou que o meio acadêmico, por sua vez, não tem o acúmulo necessário para levar a determinação legal adiante. Em sua opinião a intolerância é a face mais perversa do racismo que atinge as religiões de origem africana, pois nega a outra cosmovisão, a outra forma de se relacionar com o sagrado. Para ela a racismo é a base que sustenta o poder.

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