Apontar Islã como fundamentalismo interessa às potências ocidentais

Apontar o Islamismo com fundamentalismo é de interesse das potências ocidentais. A advertência foi feita por Sami Isbelle, da Sociedade Brasileira Muçulmana no Rio de Janeiro (SBMRJ) no Congresso História, Experiências Religiosas e Democracia. O palestrante disse também que os muçulmanos são mais de dois bilhões de pessoas em todo o mundo e não são todos radicais e extremistas. Ele afirmou que hoje são apontados como fundamentalistas o grupo Hamas, na Palestina, O Boko Haram, na Nigéria, a Irmandade Muçulmana, no Egito e o Estado Islâmico, no Iraque e na Síria.

O representante muçulmano observou que entre os árabes surgiram as bases para várias ciências, entre elas a Matemática e a Medicina e não havia medo no sentido de a ciência se opor à revelação de Deus. Isbelle acentuou que o Islã sempre trilhou pelo meio termo. Registrou que muitos países árabes tentaram usar sistema político ocidental e se deram mal. Diversos países tentam agora voltar a um sistema oriental.

No Egito, de acordo com Isbelle, após a derrubada de Hosni Mubarak, foi adotado um sistema islâmico, sendo o presidente deposto e entraram os militares. Afirmou que a Síria é ditatorial e a população foi contra a ditadura. Depois houve infiltração de outros grupos e todos passaram a ser apontados como radicais e fundamentalistas. Isbelle assinalou que mesmo tendo transcorrido mais de uma década dos atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos (EUA), muito ainda ignoram que Osama Bin Laden era agente da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês), dos EUA.

Na mesma mesa houve apresentação da Professora Gláucia Lima, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que estuda a Habitação com base na ótica da Pastoral de Favelas. A Professora pode constatar que, apesar de a Igreja Católica ser hegemônica a citada pastoral e as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) eram contra-hegemônicas. Era uma ação que seguia a orientação da Conferência Episcopal de Puebla, do fim da década de 1970, e que estabelecia a solidariedade para com os mais pobres e entravam em pauta temas como o dos negros, dos índios e das mulheres.

Naquele momento, de acordo com a Pesquisadora, o trabalho era distante do assistencialismo, como o praticado pela Fundação Leão XIII, por exemplo. Havia apoio a associações de moradores de favelas. As atividades não se resumiam ao institucional. Havia a aproximação da Igreja com escolas, sindicatos e outras entidades. Afirmou ainda a Professora que a Pastoral de Favelas não era apenas religiosa. A Igreja teve, assim, dois projetos diferentes, ligados a duas visões políticas deferentes.

Lair Amaro, Pesquisador da UFRJ, ao falar sobre mitologia, destacou que o ensino sempre levou em consideração apenas a mitologia grega. Revelou que em uma aula houve aceitação por parte dos alunos quando ele ensinou sobre a mitologia grega e a Nórdica e rejeição quando ensinou sobre mitologia Yorubá. Citou ainda o caso de um professor de Educação Física que deu aula de Capoeira e foi hostilizado por pais de estudantes que sob a alegação de que ele ensinava macumba.

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