Carta ao vereador Adilson Pires – “O senhor não sabe”

 

Por Rosiane Rodrigues

 

O senhor não sabe

Primeiro, vou me apresentar: sou a autora do texto que o senhor publicou no Jornal O Dia, em 10/09, como membro da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR). Gostaria de lhe falar da minha tristeza em ver meu trabalho – que é feito voluntariamente, pela defesa da minha fé – colocado na vala comum de plágios e publicações não autorizadas.

O senhor não sabe, vereador, mas como milhares de pessoas nesta cidade, sou uma vitima de intolerância religiosa. O amor a Yemonja me fez ser perseguida por uma juíza, um promotor e a equipe do Fórum de Jacarepaguá. Eles retiraram a guarda do meu filho (com dois anos de idade) e por auto de resistência, cheguei a ser presa. Lutei muito para ter o meu caçula – e a minha família – de volta. Todo o trabalho que desenvolvo na CCIR tem a ver com isso. Mas, é claro que o senhor não sabe.

O senhor também não sabe que, o maior número de denúncias e atendimentos jurídicos realizados pela Comissão são oriundos da Zona Oeste do Rio. Por coincidência sua base eleitoral. Os religiosos sabem que desde 2002, a perseguição aos terreiros de candomblé e umbanda por traficantes – e mais recentemente, por milicianos – são uma constante na região.

O senhor não sabe que, fazer Lei não dá conta de combater o estado de coisas a que chegamos. Leis temos aos montes, vereador! É preciso autoridade moral, comprometimento religioso e um querer fazer em prol das vítimas. O senhor, como autoridade municipal, não foi capaz de atender uma vítima de intolerância religiosa que lhe procurou, em novembro do ano passado. Muito menos colaborar, com nada sequer, na construção da II Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa.

O senhor não sabe, vereador, mas durante décadas, candomblecistas e umbandistas elegeram “representantes” que jamais nos representaram. Se as “autoridades” eleitas com uma parcela significativa de afro-religiosos tivessem feito algo – por mínimo que fosse – não estaríamos hoje com cerca de 50 ações na Justiça, pagas com nossos recursos. É por isso que a CCIR existe. Para fazer o que as autoridades nunca fizeram.

O senhor também não sabe que conheço a jornalista Monica Ramos – sua assessora de imprensa – de longa data. Profissional experiente e respeitada, ela jamais cairia numa cilada como esta: publicar artigo de terceiro sem a devida autorização. Isso é muito feio e indefensável. Pior é quando o senhor não se apropria apenas do meu texto, mas do meu voluntariado, da minha história e de tudo aquilo que – apenas a força dos nossos ancestrais – foi capaz de construir.

O senhor e o seu partido parecem não saber de nada dessas coisas, vereador Adilson Pires, mas nós sabemos.

Que Yemonja lhe retribua toda a sua disposição em lutar pela liberdade de expressão e consciência religiosa!

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