CCIR consegue acordo com Prefeitura de São Gonçalo pela casa onde foi fundada a Umbanda

 

Prefeitura de São Gonçalo

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) esteve na Prefeitura de São Gonçalo, na tarde de hoje, 06 de outubro, para encontro com a prefeita, Aparecida Panisset. A reunião visou ao entendimento sobre a casa onde foi fundada a Umbanda, derrubada na última segunda-feira e situada em Neves. O grupo de religiosos foi recebido pelo chefe de Gabinete, Eugênio Abreu, que explicou o fato de a Prefeitura de São Gonçalo desconhecer o valor histórico do imóvel. O interlocutor da Comissão, babalawo Ivanir dos Santos, expôs, então, a importância do local e pediu para que houvesse sensibilidade das autoridades daquele município. Um documento foi protocolado pedindo tombamento do lugar e a permanência do Terreiro Caboclo Pena de Ouro, outro templo que seria derrubado para construção de vila olímpica.

“Nós sabemos que a solução estava na desapropriação que a prefeita não fez. Mas, se você derruba o imóvel, ele pode ser reconstruído. A Secretaria da Presidência da República se comprometeu, caso a prefeita ceda, articular a formação do Museu da Umbanda junto ao Ministério da Cultura. Queremos apenas uma medida que seja boa para todos”, disse o babalawo.

Antes de tudo, Abreu explicou que Aparecida Panisset não discriminava ninguém e, assim como é evangélica, poderia ser de qualquer outro segmento. “A prefeita não instrui ninguém a discriminar. Ela é evangélica, mas poderia ser católica ou ter qualquer outra religião. O que pode estar acontecendo é um ruído na comunicação, uma vez que nunca ninguém acenou para a Prefeitura de São Gonçalo que o imóvel tinha um valor histórico. Em 03 de abril, o comprador chegou aqui e obteve todas as licenças dentro dos padrões legais. Ninguém quis que fosse preservado”, declarou, afirmando que ficara sabendo do caso por notícias de jornais. “Quando ficamos sabendo pelo jornal, tudo já estava demolido”.

“Não é preciso se preocupar”
Presente à reunião, Cristiano Ramos Batista, do Caboclo Pena de Ouro, colocou a situação de desespero pela qual passava. “Vocês já até publicaram no Diário Oficial a demolição do meu terreiro. Não é assim que lida com casas de santo. Vão construir vila olímpica ali e me tirar uma herança espiritual que não tem valor?”, questionou.

“Não é preciso se preocupar! O lugar onde seu terreiro está é de preservação ambiental. Tínhamos um projeto de construção da vila que já foi substituído. Não haverá destruição de nada”, garantiu Eugênio Abreu, que prometeu mostrar o segundo plano da construção da vila olímpica para Cristiano.

Como proposto pelo interlocutor da CCIR e por Eugênio Abreu, os religiosos protocolaram documento pedindo o tombamento do terreno onde a Umbanda foi fundada por conta do valor histórico e pela integridade do Centro Espírita Caboclo Pena de Ouro.

Ivanir dos Santos sugeriu, ainda, que Panisset assine o tombamento do imóvel em 15 de novembro, Dia da Umbanda.

Deixe um comentário

Voc deve estar logged in para deixar um comentrio.