CCIR dá continuidade a preparatórios para Caminhada com girão na Casa de Cláudia

 

 

Mio Vacite (ciganos), Og Sperle (wiccans), Ivanir dos Santos (interlocutos da CCIR), Marco Xavier (presidente do MUDA), Hélio Coifman (judeus), Ignez de Iansã (Candomblé) e Marilena Mattos (vice-presidente do MUDA)

Faltando pouco menos de um mês para a Quarta Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) segue a agenda de Ciclos Preparatórios. Neste domingo, 21 de agosto, o encontro aconteceu na Casa de Cláudia, sede do Movimento Umbanda do Amanhã (Muda), que fica em São João de Meriti. Mais de 250 pessoas compareceram ao evento. Representantes da Casa de Caridade Ilê de São Jorge, Grupo Umbandista Mensageiros de Oxalá (Gumo), Tenda Espírita Caboclo Flecheiro (Tecaf), Tenda de Umbanda Caboclo Zumby, entre outros terreiros, lotaram o salão de festas. A vice-presidente do Muda e dirigente espiritual da Casa de Cláudia, Marilena Mattos, deu as boas vindas a todos.

Uma mesa com líderes de diversos segmentos religiosos deu início à primeira atividade do dia. Cada religioso pôde falar sobre sua crença e de que forma seus segmentos estão se preparando para a Quarta Caminhada. O presidente do Muda, Marco Xavier, agradeceu a presença de todos e ratificou que, independente do credo, todos devem se respeitar. “Religião é mais uma linguagem de comunicação. É hora de mostrarmos que somos organizados, dignos de respeito e que podemos nos unir em prol de um bem comum”.

O interlocutor da CCIR, babalawo Ivanir dos Santos, discursou sobre a razão da Caminhada ter sido criada. “Há três anos, o jornal “Extra” noticiou um caso de intolerância religiosa na Ilha do Governador. Sacerdotes candomblecistas e umbandistas foram ameaçados, e diversas casas foram fechadas. A CCIR convocou uma audiência pública na Alerj, mas, infelizmente, as autoridades não compareceram. A indiferença do poder público fez com que a Caminhada surgisse, para garantir que todos tenham direito de professar sua fé, independente da religião”.

Segundo o babalawo, esta Caminhada está tendo uma preparação mais consistente que as anteriores, com a mobilização de uma grande diversidade de religiões. Além dos candomblecistas e umbandistas, judeus, ciganos, wiccanos, mulçumanos, bahá’ís, católicos, entre outros segmentos, estão realmente integrados. Grupos de diversos pontos do País estão se preparando para o grande dia.

Frei Tatá representou a Igreja Católica e comentou sobre a ‘visão’ que o Papa João XXIII teve há 50 anos: “Ele dizia que era hora da Igreja ‘abrir as janelas e deixar o vento entrar’. Ou seja: todos deveriam estar unidos. Hoje, estamos colhendo frutos dessa visão, unidos pela Caminhada”.
Mio Vacite, da União Cigana do Brasil, falou sobre nossa Constituição. “Uma vez, me perguntaram sobre a religião dos ciganos e eu respondi que eram todas. Onde quer que estejamos, nos adaptamos a qualquer dogma. Temos de partir em defesa de nossa autonomia, de nossa liberdade, conforme prevê a Constituição. A imprensa deveria ter um papel mais atuante”.

O wiccano Og Sperle lamentou sobre os ataques ao site da CCIR. “Durante todo ano, sofremos com os ‘hackers’ que tentam derrubar nosso site. Com a proximidade da Caminhada, o número de tentativas aumenta consideravelmente. Mas estamos reagindo aos ataques e temos obtido sucesso”.
Mãe Inês discursou sobre sincretismo religioso. “Tantos povos, diferentes entre si, foram trazidos da África para o Brasil. Apesar da diversidade, eles nunca se degladiaram. Todos eram igualmente escravos, e era preciso resistir contra a dominação branca. Precisaram ‘associar’ seus orixás aos santos católicos, mas não deixaram seus ancestrais se perderem. Assim como eles, lutarei para ser respeitada por toda a sociedade”.

O representante da comunidade judaica, Hélio Coifman, agradeceu a forma como a Comissão sempre recebeu os judeus. “Nosso povo sofreu ao longo dos séculos conforme a história conta, mas sabemos que no Brasil as religiões de matrizes africanas são os maiores alvos de preconceito. Por todo seu esforço, respeitamos muito nosso babalawo Ivanir dos Santos, que conduz as iniciativas da Comissão de forma respeitosa a todos os segmentos”.

Ao fim da mesa, foi realizado o girão para pedir as bênçãos aos orixás para a Quarta Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, que será realizada no dia 18 de setembro, às 11h, na Praia de Copacabana.


 

Comissão de Combate à Intolerância Religiosa
Comunicação CCIR/RJ

 

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