CCIR em ato inter-religioso pelos 204 anos da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro

 

Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) esteve, na manhã hoje, dia 10 de maio, no auditório da Polícia Civil Do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), no Centro do Rio, em ato inter-religioso pela comemoração dos 204 anos da instituição. Lideranças de diversos segmentos; a chefe da PCERJ, Marta Rocha; e o delegado que representa a entidade aniversariante na Comissão, Henrique Pessoa, compuseram a mesa de comemorações.

O interlocutor da CCIR, babalawo Ivanir dos Santos, destacou a importância da parceria entre a Comissão e a Polícia Civil. “A dedicação e o compromisso desta instituição com a Comissão é essencial para nossa democracia. Lembro que, na Primeira Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, em 2008, Marta Rocha estava na delegacia de Copacabana, onde ocorrem as marchas. Ela sempre foi muito sensível à causa e se mostrou aberta ao diálogo. Hoje, é chefe da Polícia e continua consciente da necessidade de mantermos nossa sociedade justa para todos”, declarou o babalawo, que ressaltou o fato de policiais estarem mais integrados no combate a esse tipo de preconceito pelo fato de um delegado procurar Henrique Pessoa num suposto caso de perseguição a uma casa de Candomblé. “Isso mostra que todas as nossas palestras, contatos e parcerias têm efeitos imediatos”.

 

“Preparada”

A chefe da PCERJ agradeceu a presença da Comissão e revelou acreditar que o Divino prepara cada pessoa para uma missão. Marta Rocha crê que vinha sendo preparada por Deus para estar à frente dos policiais civis atualmente. “Quando o Ivanir me falou sobre a Primeira Caminhada, lembro-me que a data escolhida era confusa por haver outras atividades na orla, no mesmo dia. Então, perguntei se não poderia marcar uma outra data. Ele respondeu que não, pois, por uma questão religiosa, a Caminhada teria de ser naquele dia. Tirei uma lição daquilo. Acredito que Deus prepara cada um de nós para uma missão. Conseguimos liberar a marcha, e percebi que realmente é preciso paciência e persistência para agir com responsabilidade. Hoje estou como chefe de Polícia, mas não sei até quando a vontade de Deus seguirá assim. A certeza que tenho é apenas de que somos aprendizes o tempo inteiro, e agradeço muito à CCIR por estes laços que só têm bons efeitos para toda a sociedade”, falou Rocha, que ainda destacou números do trabalho da Polícia Civil. “Em um ano, tivemos 75.461 inquéritos concluídos, mais de 19 mil flagrantes, 16.205 prisões efetuadas por policiais civis, além de 29 chefes do tráfico e 38 milicianos presos. Não temos controle dos meios de comunicação, mas posso garantir que temos trabalhado de todas as formas para combater todos os tipos de males”.

O delegado Henrique Pessoa ressaltou que todos os policiais têm aprendido sobre a questão da intolerância religiosa e que realizou, com o trabalho junto à CCIR, um sonho. “Sempre tive uma atuação muito discreta dentro da Polícia. Minha visão sempre foi muito voltada para o desenvolvimento de trabalhos com Direitos Humanos. No início de minha participação na Comissão, percebi que a imagem da entidade para os religiosos não era boa, pois éramos tidos como perseguidores. Hoje, acredito que a CCIR tenha ganhos com minha participação, mas, sem dúvidas, a Polícia Civil é quem ganha muito mais com essa convivência. Meu sonho era conseguir transformar a Polícia do Rio de Janeiro numa referência no combate à intolerância. E nós conseguimos”, revelou.

Participaram da mesa o vice-presidente da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro (SBMRJ), Anas Ayoubi; o sacerdote bruxo representante dos wiccans, Og Sperle; representante dos Hare Krshnas, Raga Bhumi; Reverendo da Igreja Anglicana, senhor Luiz Caetano Grecco; vice-presidente da Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj), Hélio Koifman, Frei Tatá; a fundadora da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa e representante da Umbanda, Fátima Damas; e o interlocutor do grupo e representante do Candomblé, babalawo Ivanir dos Santos.

 

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