CCIR junta-se a Bahá’ís em manifestação na Zona Sul do Rio

 

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) esteve, no último domingo, 19, na “Manifestação pela Liberdade e pela Vida” junto à Comunidade Bahá’í. O encontro aconteceu na Praia de Copacabana e protestou pelo fim da perseguição aos seguidores da religião no Irã. O interlocutor da CCIR, babalawo Ivanir dos Santos, prestou solidariedade ao segmento. “Qualquer grupo perseguido ou maltratado merece o nosso apoio. Temos uma aliança com a Comunidade Bahá’í. Eles também são parceiros da CCIR dentro do Brasil. Precisamos administrar os conflitos e pensar no bem da sociedade”.

Divulgação

O evento teve início às 10h e foi marcado por uma queima de fogos na areia. Centenas de pessoas vindas de diversos estados brasileiros, lideranças do Movimento Negro, grupos de Direitos Humanos e do Governo, além de representantes da sociedade civil e de entidades religiosas de vários credos apoiaram a causa.

Segundo Fátima Damas, presidente da Congregação Espírita Umbandista do Brasil (CEUB) e fundadora da Comissão, os umbandistas estão de braços abertos nesta luta. “Não podemos aceitar essas coisas nos dias de hoje. A Umbanda está aqui irmanada. Somos todos irmãos”.

O caso dos sete líderes bahá’ís, presos desde 5 de março de 2008, foi escolhido como um símbolo que representa formas de injustiças cometidas contra pessoas inocentes por todo o mundo. A ideia de uma manifestação pacífica foi ressaltada pela presença de jovens músicos, que deram voz ao clamor pela liberdade e pela vida, fazendo uso de instrumentos acústicos (violão, percussão e voz). “No Brasil, primamos pelo respeito à diversidade, pela liberdade e pela paz. As lideranças do Irã lutam por um mesmo ideal. Os nossos atos podem mudar uma sociedade”, ressaltou Marilucia Pinheiro, representante da Comunidade Bahá’í na CCIR.

Representação

Foram fincadas nas areias de Copacabana um total de 7.747 máscaras com os rostos desses cinco homens e duas mulheres. O número equivale à soma dos dias que cada um deles está sob privação de liberdade e impedidos de contribuir com o progresso de toda uma sociedade.

Sarita Schaffel, presidente da Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj) ressaltou que, “como membros da CCIR, apoiamos todos os movimentos que lutam pela liberdade religiosa e pela garantia dos direitos humanos”.

O delegado de Polícia Civil do Rio de Janeiro Henrique Pessoa, membro da CCIR, ratificou que a instituição apoia a causa incondicionalmente. “Estamos envolvidos diretamente com a questão de estratégia pela manutenção da democracia. Temos que ser intolerantes com qualquer tipo de intolerância”.

Reações pelo mundo

As sentenças expedidas às sete lideranças bahá’ís do Irã despertaram reações de governos em todo o mundo, entre eles: Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Austrália, Países Baixos e Reino Unido. A advogada iraniana Shirin Ebadi, laureada com o Prêmio Nobel da Paz em 2003, esteve este mês com a Comissão no Rio de Janeiro e disse que ficou “atordoada” pela notícia da condenação de 20 anos. “Li o processo desse caso página por página e não encontrei nada que prove as acusações, nem achei qualquer documento que pudesse provar a alegação do promotor”.

A Fé Bahá’í

Surgida em 1844, a religião Bahá’í tem hoje mais de 300 mil seguidores e é a maior entre as minorias religiosas no Irã. Porém, não é reconhecida pelo governo iraniano, sendo perseguida desde o seu surgimento. Após a Revolução Islâmica, em 1979, esta perseguição se intensificou e centenas de bahá’ís foram mortos, milhares foram presos e outras centenas de milhares sofreram outros tipos de privação.

A Fé Bahá’í chegou ao Brasil com o pioneirismo da americana Leonora Armstrong, em 1921. De lá para cá, a Comunidade Bahá’í se desenvolveu e cresceu, com mais de 65 mil bahá’ís de todas as idades e está presente em todos os estados brasileiros. Os bahá’ís participam ativamente da vida comunitária, oferecendo atividades de cunho espiritual voltadas para crianças, jovens e adultos. Atividades de desenvolvimento socioeconômico e educacional e a promoção de reflexões sobre temas correntes como Direitos Humanos, Sustentabilidade, Igualdade Racial e de Gênero, junto à sociedade e ao governo, também fazem parte da agenda bahá’í no Brasil e no mundo.

O secretário nacional de Ações com a Sociedade e o Governo da Comunidade Bahá’í do Brasil, Iradj Roberto Eghrari, definiu o sentimento da manifestação pró-Bahá’ís. “Esse é um momento de união entre todos os religiosos e não-religiosos. Negros, brancos, bahá’ís, católicos, umbandistas, candomblecistas, judeus, evangélicos, muçulmanos, juntos numa só voz contra a intolerância”, alertou. Segundo Iradj, a intolerância e a discriminação são fatores alarmantes. “A injusta prisão dessas sete lideranças é um sinal desse mundo, que está doente. O Brasil é contrário à intolerância e à discriminação. Não queremos viver em um mundo doente”, finalizou.


Comissão de Combate à Intolerância Religiosa
Ricardo Rubim – Coordenador de Comunicação CCIR/RJ
Tel.: 21 7846-0412 / 21 2273-3974

 

Deixe um comentário

Voc deve estar logged in para deixar um comentrio.