CCIR mostra diversidade a funcionários da Casa da Moeda

A Casa da Moeda do Brasil (CMB) recebeu, na tarde do dia 27 de maio, alguns membros que fazem parte da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), para um debate sobre liberdade, com centenas de funcionários da casa. A palestra fez parte da programação solicitada pela coordenadora do comitê do Programa Pró-Equidade de Gênero, Raça e Etnia, Profª. Drª. Helena Theodoro, que classificou o encontro como “fundamental para que se construa um ambiente de trabalho livre de preconceito e discriminação”.

            Antes de iniciar o diálogo com o público, o interlocutor da CCIR, babalawo Ivanir dos Santos, fez um convite para que algum funcionário evangélico participasse da mesa, de forma a contemplar a pluralidade de religiosos. Mediante a ausência de um voluntário, o kardecista José Santos se prontificou a juntar-se aos demais. Na sequência, os integrantes da CCIR expressaram sua opinião acerca deste momento em que a sociedade tanto discute as questões que envolvem a liberdade religiosa.

Para o wiccano Diogo Ribeiro, “uma das máximas da wicca é mostrar o poder da diversidade, a importância da inclusão e a preservação das culturas. Mais sagrado que a religião é o respeito que nos faz todos iguais enquanto humanos”.

O kardecista (e convidado à mesa) José Silva lembrou que “Jesus não determinou uma religião correta, entretanto pregou o amor. Dois dos mandamentos dizem: ‘amar a Deus sobre todas as coisas’ e ‘amar ao próximo como a ti mesmo’”.

 

Alusão histórica

 

A representante do Movimento Hare Krshna, Rhaga Bhumi, acredita que “religião é uma questão de fé e humanismo”. A pesquisadora da UFF, Roberta de Mello Correa, afirmou que “a liberdade de religião constitui um elemento fundamental da nossa unidade e merece ser respeitada”. O católico Frei Tatá fez uma alusão histórica em seu discurso e disse “temer que as religiões possam dividir o País”. Já a judia Patricia Tolmasquim contextualizou a perseguição sofrida por judeus e negros, ao longo dos séculos, com a discriminação às religiões judaica e de matriz africana.

“A intolerância surge da ignorância, de algo que desconhecemos. E, mais uma vez, estamos enfrentando a intolerância, agora praticada por uma pessoa da lei. Não basta apenas o juiz [Eugênio Rosa de Araújo] mudar de opinião sobre a nossa religião. Queremos que os vídeos que nos ofendem diretamente sejam retirados do YouTube”, ratificou a fundadora da CCIR e umbandista, Mãe Fátima Damas.

            Em seu discurso, o babalawo Ivanir dos Santos também chamou atenção para o caso de intolerância praticado pelo juiz federal Eugênio Rosa, que teria desclassificado a Umbanda e o Candomblé como religiões. Além disso, alertou para uma possível disputa de poder de grupos religiosos, tendo em vista as eleições deste ano, e convidou os funcionários a marcarem presença na 7ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, que ocorrerá em 21 de setembro, às 11h, na Praia de Copacabana.

            Após as falas, abriu-se espaço para que os participantes fizessem perguntas aos integrantes da mesa. Debates acalorados, relatos pessoais e, principalmente, a emoção de alguns marcaram o final da atividade, que poderá ganhar uma segunda edição por conta dos funcionários que trabalham no turno da noite e que não puderam estar presentes.

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