CCIR participa de ato inter-religioso pelas vítimas de tragédia com bondinhos de Santa Teresa

 

Cerca de 200 pessoas participaram, neste domingo (11), de um ato inter-religioso em solidariedade a parentes e amigos das vítimas dos acidentes com os bondes de Santa Teresa, um dos principais pontos turísticos do Rio de Janeiro. Organizado pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) em parceria com a Associação de Moradores e Amigos da Santa Teresa (Amast), moradores do bairro, amigos e parentes das vítimas, parlamentares e lideranças religiosas se concentraram no Largo do Curvelo e seguiram em cortejo pela Rua Joaquim Murtinho, até o local do acidente.

Lideranças de diversas crenças, entre Catolicismo, Kardecismo, Budismo, Umbanda, Wicca e Hare Krishna, deixaram mensagens de esperança e conforto aos presentes. O interlocutor da CCIR, babalawo Ivanir dos Santos, manifestou seu apoio e carinho. “Temos que estar todos aqui. Este ato é muito importante num momento triste como este. As pessoas precisam de conforto, principalmente os familiares e amigos que perderam entes queridos. Com certeza, entre as vítimas, tinham pessoas de diversas religiões. E estamos aqui para prestar a nossa solidariedade por todas elas e pelos moradores de Santa Teresa. Além de pedir por um transporte mais seguro”, disse.

O babalawo aproveitou a ocasião para falar sobre intolerância religiosa e chamar para a Quarta Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, dia 18, na Orla de Copacabana. “Queremos que respeitem a diversidade do nosso País. É importante falar sobre o preconceito que ainda existe com religião. Essa é uma luta de todos nós. Todos temos o livre arbítrio”.

A umbandista e fundadora da CCIR, Fátimas Damas, pediu que todos fizessem uma prece pelas vítimas da tragédia. Para ela, essa luta não é só por Santa Teresa, mas por todo o Rio de Janeiro. “O bondinho faz parte da nossa vida. Temos que lutar por isso, a população merece. Chega de sofrimento”, exaltou.

O bloco carnavalesco Céu na Terra, tradicional no bairro, puxou o cortejo que seguiu pela Rua Joaquim Murtinho, da Praça do Curvelo até o local do acidente, onde foram depositados cartazes e flores em homenagem às vítimas. Manifestantes pintaram os trilhos do bonde com tinta vermelha e prometeram mais protestos até que alguma providência seja tomada. O condutor do bonde, seu Nelson, também vítima fatal da tragédia de 27 de agosto – em que seis pessoas morreram e 56 ficaram feridas – foi lembrado com carinho pelos moradores, que entoaram seu nome.

Os manifestantes mostraram indignação com o descaso em relação ao desastre e aos bondes de Santa Teresa. Representantes da Amast pediram a participação de todos na audiência pública para discutir a situação precária do transporte, marcada para o dia 15 de setembro (quinta-feira), na Alerj, às 10h.

“Estamos aqui para mostrar o que o bonde significa para nós. Ele é a alma do bairro. Precisamos de gente nas ruas. Só assim podemos impressionar”, disse a presidente da Amast, Elzbieta Mitkiewicz, que pediu a mobilização de todos.

Missa pela Caminhada

O último evento do domingo que antecedeu a Quarta Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa foi realizado na Paróquia Santa Bernadete, no bairro de Higienópolis, zona norte do Rio. Logo na entrada, todos os convidados foram recepcionados por um grupo de jovens que davam as boas vindas de forma alegre e espontânea. Alguns representantes da CCIR estiveram na igreja, como frei Tatá, reverendo Marcos Amaral, pai Renato D’Ogun-já, pai Renato D’Obaluaiê, mãe Fátima Damas, mãe Regina D’Oyá e mãe Inês de Iansã, além do interlocutor da Comissão, babalawo Ivanir dos Santos.

Dentro da igreja, a lotação máxima. Cerca de 300 fiéis estavam presentes quando as luzes do templo foram apagadas, e Padre Gegê deu início à cerimônia, chamando atenção para a questão da intolerância com o próximo. Uma homenagem ao trabalho realizado pela CCIR ao longo desses anos. Na paróquia, não era difícil achar pessoas emocionadas com o ato, entre elas, Bárbara Cristinne, 18 anos, que faz parte da Pastoral dos Coroinhas de Santa Bernadete. “Jesus não faz distinção entre nós. Acho importantíssimo esse trabalho, e estamos buscando outros jovens para novamente irmos à Caminhada. É gratificante conhecer pessoas de outras religiões e aprendermos com as diferenças”, disse.

Padre Gegê fez questão de cumprimentar todos os líderes religiosos, um a um. O interlocutor da Comissão fez um discurso pontual, citando o líder político africano Nelson Mandela. “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar”, lembrou.

Uma banda conduzia os cânticos, e os presentes entoavam as canções com bastante alegria. Um casal de namorados assistia à missa. Mateus Gouveia e Roberta Rangel, ambos de 20 anos, acham que a Comissão já deveria existir há mais tempo. “Nós apoiamos a causa e achamos que deveria haver mais intercâmbio entre os jovens de outras religiões. Juntos, podemos levar a paz a todos”, afirmou Roberta.

 

 


 

Comissão de Combate à Intolerância Religiosa
Comunicação CCIR/RJ

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