CCIR protocola projeto para construção do Museu da Umbanda

 

Após mais de dois meses polêmicos por conta da derrubada da casa onde a Umbanda foi fundada, a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) protocolou, na manhã de hoje, 03 de novembro, projeto para que a Prefeitura de São Gonçalo possa tombar o terreno, que já foi vendido a um militar, a fim de reconhecer a importância do solo sagrado, e orientar os primeiros passos para a construção do Museu da Umbanda. Representantes umbandistas, católicos, judeus e candomblecistas estiveram no ato para apoiar os seguidores do segmento. Ninguém daquela prefeitura recebeu a CCIR, apenas o coordenador de Comunicação orientou o grupo sobre o local que deveriam se dirigir para finalizar os trâmites.

Reconhecimento

Para Marilena Mattos, vice-presidente do Movimento Umbanda do Amanhã (MUDA), a criação do museu é essencial para a história das religiões. “É importantíssimo ter um local em que todos possam conhecer a história da Umbanda, que disponibilizem biblioteca, sala multimídia e que, enfim, a religião seja respeitada e difundida”, disse.
Segundo o interlocutor da CCIR, babalawo Ivanir dos Santos, era realmente necessário protocolar o documento e aguardar por um parecer da prefeita, Aparecida Panisset. “Ninguém vai deixar de fazer o museu por omissão ou por falta de projeto. Nesta proposta, busca-se que a casa onde Zélio Fernandino de Moraes deu início aos cultos seja reconhecida como um lugar sagrado e que todos possam saber mais sobre a Umbanda”, comentou o sacerdote do Candomblé, que estranhou Panisset não receber a Comissão. “Esta semana, ela estava num programa de rádio e foi questionada sobre a proposta. Também perguntaram se ela receberia os religiosos, e ela respondeu que não sabia como estava sua agenda. Um assunto tão importante deve ser tratado de forma clara e com muita conversa”, declarou.

Judeus e católicos parceiros

Diane Kuperman, diretora de Diálogo Inter-religioso da Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj), apoiou os umbandistas e explicou. “Nossa religião preserva a memória. Desta forma, concordamos que todos os segmentos devem ser resguardados. Este museu é importantíssimo para os fiéis da Umbanda”.
Padre Gegê, da paróquia Santa Bernadete, declarou que a construção compõe a própria História do Brasil. “Faz parte da vida de cada brasileiro. A Umbanda é uma religião deste País, e é preciso manter essa chama acesa para que mostremos o respeito ao próximo e não se apague parte de nosso passado”, opinou.
A CCIR estudará a possibilidade de fazer ato simbólico em 14 de novembro no município. A intenção é chamar atenção um dia antes à comemoração do nascimento da religião com uma lavagem das escadarias da Prefeitura organizada por seguidores da Umbanda.

 

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