CCIR realiza ato pela Semana do Policial Civil; caso de Cosme e Damião parou na 27ª DP

 

CCIR realiza ato pela Semana do Policial Civil; caso de Cosme e Damião parou na 27ª DP

A Comissão de Combate a Intolerância Religiosa (CCIR) realizou, na tarde de hoje (26), ato inter-religioso pela Semana do Policial Civil, no auditório da 5ª DP (Mem de Sá). Com a presença de sacerdotes de várias crenças e autoridades da sociedade, além de agradecer pela parceria com a CCIR, a chefe da instituição, delegada Marta Rocha, dirigiu-se aos fiéis para declarar que já conseguiu encaminhar o registro de intolerância religiosa para a 27ª DP (Vicente de Carvalho).  Rocha referiu-se à queixa da fundadora da Comissão e umbandista, Fátima Damas, que, afrontada com a reportagem do jornal EXTRA “Igreja evangélica demoniza Cosme e Damião, mas vai distribuir guloseimas” (Bruno Cunha, 25 de setembro de 2012, Pág.3), representou, na tarde de ontem, na 6ª DP (Cidade Nova). Cada religioso reforçou a necessidade de exterminar com a demonização da religião alheia e pediu ao Criador pelas vidas dos policiais. O representante da Comunidade Islâmica, Sami Isbelle, falou sobre a vitória sobre a retirada do filme “Innocence of Muslims”, dentro do período de dez dias dados pela Justiça, da internet no Brasil.

Católicos, muçulmanos, umbandistas, candomblecistas, hare Krshnas, budistas, protestantes, espíritas, bahá’ís e o representante da Maçonaria na CCIR, coronel Ubiratan Ângelo, agradeceram pelos esforços dos profissionais comandados por Marta Rocha e exaltaram a força que o grupo de religiosos ganhou desde a integração da PCERJ. O interlocutor, babalawo Ivanir dos Santos, lembrou que a Polícia Civil se mostrava cada vez mais republicana, e que o entendimento sobre o respeito mútuo só apontava a seriedade da entidade. “A Marta Rocha ainda nem era chefe da Polícia e já entendia que esta questão é de todos. Ela trabalhava na delegacia de Copacabana e, mesmo com algumas dificuldades, sabia que a Caminhada (em Defesa da Liberdade Religiosa) é um ato cidadão. É claro que fico muito triste com a atitude e com as palavras ditas pelo pastor (Isael Teixeira), e nenhum membro da Comissão deseja a prisão ou mal de qualquer religioso. Mas é preciso dar um basta nos pequenos gestos que culminam em intolerância religiosa. Até festas de São João nas escolas têm sofrido por conta desse comportamento fascista”, disse.

Sami Isbelle, da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro (SBMRJ), também parabenizou a todos e agradeceu pelo empenho da Polícia contra o preconceito em relação a credos. Isbelle ressaltou que os seguidores de sua religião são pacíficos e prezam pela vida com liberdade. O religioso deu a notícia de que o filme, em que o profeta Muhammad seria homossexual, pedófilo e mantém relações com várias mulheres, não estará mais na internet após vitória na Justiça. “É dessa forma que se deve agir: seguir os trâmites legais para que possamos impedir a veiculação de qualquer coisa que tente ridicularizar o sagrado”.

A umbandista Fátima Damas, assim como todas as representações religiosas, parabenizou os policiais e agradeceu o empenho do representante da PCERJ na Comissão, delegado Henrique Pessôa. “Muito obrigada, delegado. A Comissão se sente mais protegida com a sua presença e com o seu esforço. Sou prova de que o senhor não toma partido de qualquer religião e age pela plena democracia no nosso País”, declarou.

Ao final, Marta Rocha falou sobre sua fé e como aprendeu a respeitar a crença de cada pessoa. Católica, ela lembrou que, quando trabalhava na 20ª DP (Vila Isabel), sentia-se confortada ao atender a mãe de um colega ao telefone e, antes de se despedir, ouvia ‘Que Oxum lhe abençoe!’. “Na minha família católica, lembro-me que minha avó sempre orientava para pedir a um santo específico para cada caso. Se alguém estava brigada com o marido, por exemplo, ela dizia para pedir ajuda a São José, e não a Santo Antônio. Quando atendia ligação da mãe desse policial que trabalhava comigo na 20ª DP e ela me falava aquelas palavras tão carinhosas, sentia-me muito mais calma em meio a plantões tumultuados. Respeitar a religião do outro é uma premissa que acredito ser de todas as religiões”, disse a chefe de Polícia, que também agradeceu o ato inter-religioso. “Essa parceria tem trazido para a nossa instituição como devemos estar atentos diariamente aos cumprimentos de nossos deveres. Quando alguém relata algum caso de intolerância, vêm às nossas mentes as possibilidades de trabalhos para acabar com isso. Muito obrigada à Comissão de Combate à Intolerância Religiosa por esta ajuda”, finalizou.

 

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