CCIR realizou a 8ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, no domingo, dia 20 de setembro, em Copacabana

Mais de 10 mil pessoas de diferentes credos participaram de um ato na Avenida Atlântica, em Copacabana, ontem (domingo), durante a 8º Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa. A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) vem chamando à razão da sociedade para o perigo de uma ditadura religiosa em um país como o Brasil, que é diversificado, repleto de crenças e laico. A Comissão, agora mais do nunca, mostra que, independente de crenças, todos são iguais. Representantes do candomblé, umbanda, católicos, budistas, muçulmanos, judeus, wiccanos, hare krishnas, ciganos, dentre outros se fizeram presentes. Além de novos adeptos como mórmons e bases evangélicas.

O dia começou às 9h, com café da manhã, no CIB – Clube Israelita Brasileiro, com vários líderes religiosos. Mais o ponto alto ficou por conta da assinatura do termo de compromisso, de apoio e suporte ao grupo de policiais militares cariocas, que são seguidores das religiões de matrizes africanas, nos moldes do NAFRO, já instituído em SP e Salvador.

Das muitas manifestações apoio, a caminhada foi considerada por todos como necessária. O interlocutor da Comissão (CCIR), babalaô Ivanir dos Santos, pediu também que os crimes motivados pela religião sejam investigados e punidos. “Primeiro, as delegacias têm de registrar esses casos como intolerância religiosa e não, como rixa de vizinho e desentendimento. Segundo, é importante esses casos chegarem até o Judiciário e ele tomar suas medidas”, alegou.

Apedrejada na saída de um culto de candomblé em junho, a menina Kayllane Campos, de 11 anos, participou da caminhada. Para ela, a violência religiosa nasce do sentimento de superioridade e de ignorância. “O mesmo Deus que eles cultuam na igreja deles, a gente cultua na nossa também, mesmo que o nome Deus seja diferente”, declarou.

A avó de Kayllane, Kátia Marinho, aproveitou para agradecer a todos o carinho que a menina tem recebido e lembrou a importância de lutar a favor da liberdade religiosa. “Intolerância nós sofremos há séculos. Mas hoje vejo que tudo o que aconteceu foi por um motivo, e que nos deu força para continuar. Estamos aqui unidos para dizer que não temos que ter vergonha da nossa religião”, afirmou.

Presente à ocasião, o coronel Íbis Silva Pereira lembrou que em uma democracia não se pode conviver com a intolerância religiosa, pois afeta diretamente a dignidade humana. “Isto não é apenas um ato religioso. É um ato político. Queremos construir uma sociedade mais solidária, mas não será possível sem o respeito absoluto pela dignidade absoluta”. concluiu.

A secretária de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Teresa Cristina Cosentino, participou da 8ª Caminhada, e fez coro com Ivanir, que juntos reivindicaram um só objetivo: o combate à intolerância religiosa para a promoção dos direitos humanos.

O diretor da Sociedade Beneficente Muçulmana, Sami Isbelle, teme que a ignorância se reverta em violência contra os refugiados da Síria que tem chegado ao Brasil. Segundo ele, muitas pessoas não diferenciam a religião islâmica do radicalismo professado por grupos extremistas. “O Brasil foi um local que nunca teve esse tipo de sentimento e hoje ele está presente de forma crescente”. afirmou.

Também presente, a empresária Luzia Lacerda, que organizará a Expo Religião 2015, no SulAmérica, em novembro. “O intuito é mostrar a sociedade que a convivência é possível desde que haja respeito, como esse ato aqui e agora”. O humorista Nelson Freitas e Elisa Larkin (viúva de Abdias Nascimento), marcaram presença.

A programação seguiu na altura do Posto 5, por volta da 11h, começou com uma concentração, com o apoio de carros de som, com faixas e cartazes, representantes de diversas religiões, que seguiram andando e dançando juntos, em direção ao Posto 6, Lido. Antes de iniciar o percurso, representantes do candomblé e da umbanda fizeram pequenas rodas de cânticos e danças. Outro diferencial foi a performance de um grupo de crianças que, caracterizadas como orixás, caminhavam de mãos dadas.

No alto dos 40ºC, típico calor carioca, os ritmos e o batuque africanos animaram à tarde de domingo, com apresentação de 30 policiais militares da banda da PMERJ, que abriam o trajeto tocando o Hino Nacional.

De cima do trio, Filhos da Gandhi, o Ogã Kotoquinho fez um pré aquecimento com a música “Oxum Senhora das Águas Doces” e um cântico para Iemanjá. O príncipe nigeriano Jokotoye Awolade Bankole, fez uma saudação, com uma declamação em yorubá. A marcha contou com a participação especial no palco com Arlindo Cruz, que defendeu a liberdade religiosa como também saudou a multidão com alguns de seus maiores sucessos como “Menina Carolina”, de Bebeto, é de sua autoria “O que é o Amor”, entre outros. Arlindo ganhou reforço do músico Rogê.

Em frente o trio, a dança predominou com apresentação de Afoxé Maxambomba, com direito ao Rei Toja dos Reis e a Rainha Izabel Carvalho, entre outros. A maioria dos participantes, claro, usava roupas brancas, simbolizando a paz e axé. Ou seja, um domingo de devoção e reflexão, acabando os festejos por voltas das 17h.

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