CCIR repudia ato de intolerância religiosa na Bahia

 

Sacerdotisa do Candomblé é jogada em formigueiro incorporada

Divulgação

A cada dia que passa, aumenta o número de denúncias de intolerância no País, sobretudo na região Nordeste. A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) tem acompanhado casos em todo o Brasil. Desta vez, a vítima foi a sacerdotisa do Candomblé Bernadete Souza Ferreira, que acusa a Polícia Militar da Bahia de tortura.

Na tarde do dia 23 de outubro, a Polícia Militar daquele estado fez incursão no assentamento Dom Hélder Câmara. De acordo com uma testemunha, Bernadete teria questionado sobre a legalidade da ação policial pelo fato de o local estar sob a jurisdição do Instituto Nacional e Colonização de Reforma Agrária (Incra). Sendo assim, os policiais enquadraram homens, mulheres e crianças, sob mira de metralhadoras, pistolas e fuzis. Nesse momento, a candomblecista recebeu voz de prisão e o orixá Oxossi teria incorporado.

“Para afastar Satanás”

Segundo a religiosa, “Pegaram Oxossi, puxaram os cabelos e jogaram num formigueiro”.

Ainda de acordo com uma vítima, os policiais gritavam que as formigas eram para “afastar Satanás”.

“A CCIR repudia qualquer atentado contra a vida e contra a liberdade religiosa. Colocar um ser humano num formigueiro é uma atitude cruel. Usar a autoridade para jogar uma pessoa incorporada em Orixá num formigueiro é uma atitude contra todas as religiões de matrizes africanas que cultuam essas entidades. A intolerância religiosa no Nordeste tem tomado proporções inimagináveis. O Estado tem que se posicionar”, afirma o interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, babalawo Ivanir dos Santos.

O processo que investiga o caso ainda não foi concluído, mas o corregedor da PM da Bahia, tenente-coronel Manuel Souza Neto, já deixou claro que a sindicância não dará em nada. Ele afirmou que tanto a intolerância religiosa quanto a tortura não serão comprovadas. Na visita ao assentamento, o corregedor decretou que não havia formigueiro no local, apenas, gramas rasteiras com formigas. Portanto, de acordo com o tenente-coronel, ninguém poderia ter sido colocado em um formigueiro. O corregedor declarou ainda que foi legal a presença da PM em uma área federal. “Estamos na Bahia. Aqui, todo mundo é católico, mas gosta de um sambinha também. Não tem intolerância religiosa. Isso não vai ser provado de jeito nenhum”, afirmou.

De acordo o presidente do Movimento Umbanda do Amanhã (MUDA), Marco Xavier, “Nós, umbandistas e candomblecistas, sofremos intolerância religiosa todos os dias. Não podemos permitir que sejamos tratados com descaso e violência. Essa sacerdotisa deve ter seu direito a uma investigação honesta assegurada. A Justiça deve ser feita, sempre”, garante.

 

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