Cento e vinte mil pessoas pediram paz e respeito na III Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa

 

Sair de casa em pleno domingo para defender o direito à crença parecia difícil. Mas, no dia 19 de setembro de 2010, cerca de 120 mil pessoas cobriram a Avenida Atlântica com faixas, alegria, pedidos de paz e muita emoção. Eram líderes de diversas religiões. Juntos, apenas mostraram a importância de aceitar o outro e conviver harmoniosamente.

Em 2008, no primeiro ano, 20 mil pessoas foram para a Orla de Copacabana em defesa da liberdade de crença. No ano passado, 80 mil se juntaram à manifestação.

Durante todo o dia, as caravanas de vários estados do País não pararam de chegar. Umbandistas, católicos, judeus, evangélicos, wiccanos e também os que não têm fé cobriram a Avenida Atlântica em um movimento inenarrável.

Após a coletiva sobre as propostas da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), todos seguiram em direção ao Leme ao som do projeto-escola Olodum.  O clima de união e alegria tomou conta dos que estavam na Princesinha do Mar e não se importaram com o mau tempo.

A Caminhada só terminou por volta das 17h, com fala do interlocutor da CCIR, babalawo Ivanir dos Santos. “Hoje é um dia para comemorações, pois, cada vez mais, as pessoas aderem a esse movimento, que é de todos nós. Não se faz com um grupo pequeno. Sinto-me feliz em ver tanta diversidade junta, caminhando e se amando, mostrando paz e união. Temos um grupo que insiste em nos atacar. No entanto, somos mais fortes e mostramos que o que vale é uma lei que o Criador ensinou: ‘Amai o próximo como a ti mesmo’. Devolvemos a esse pessoal o oposto que nos dão: amor”, disse o babalawo.

Ao fim, a multidão foi embalada ao som de Rita Ribeiro, com canções de seu último CD, Tecnomacumba.

Caminhada vai virar coisa de cinema

Luz, câmera, ação! De frente para a máquina, a candomblecista Irenice de Jesus entoa energicamente “Ajayô, Ajayô, Ajayô”. Ao lado dela, um dos representantes da Igreja Católica observa as expressões da religiosa e, respeitosamente, aguarda a vez de dar o seu testemunho, de acordo com os preceitos da sua religião. E, assim, passaram pelas câmeras do diretor Luiz Antônio Pilar membros das mais diversas religiões, que estiveram presentes no megaencontro.

Pilar, como é mais conhecido, ficou responsável pela produção do documentário, que registrou em imagens a III Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa. Em princípio, o material era para fins institucionais, mas, com o sucesso do evento, a Comissão de Combate a Intolerância Religiosa (CCIR), que detém os direitos autorais do trabalho, está negociando a veiculação com alguns canais do circuito fechado de TV.

Na visão profissional de Pilar, “através deste documentário, será possível mostrar ao Brasil e ao mundo que vivemos num País de diversidades e em um lugar possível de se viver bem e com respeito mútuo”.

“A Caminhada na Orla de Copacabana é exemplar. Estas pessoas aqui em frente à minha câmera é maravilhoso. Então, vamos mostrar isso para o mundo”, completou o diretor.

Quando chamava o entrevistado, Pilar deixava com eles a seguinte pergunta: “Qual a importância da Caminhada para sua religião e para a sociedade?” Depois que ligava o microfone, dava liberdade para o religioso discursar à vontade. Afinal, o grande grupo mostrou que, caminhando, se entende.

 


Comissão de Combate à Intolerância Religiosa
Ricardo Rubim – Coordenador de Comunicação CCIR/RJ
Tel: 21 7846-0412 / 21 2273-3974 / 21 2232-7077

 

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