Coletiva de imprensa Sexta Caminhada: religiosos enaltecem diferenças; Caminhada começará às 13h

 

A coletiva de imprensa da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) realizou-se, na manhã de hoje, no Clube Israelita Brasileiro (CIB), com a presença de vários representantes de segmentos religiosos, com o representante da Secretaria Estadual de Assistência Social de Direitos Humanos (SEASDH), Cláudio Nascimento, e pessoas de diversos estados de todo o Brasil. O encontro é o primeiro acontecimento antes à Sexta Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, que ocorrerá, a partir das 13h, na Avenida Atlântica.

O interlocutor da CCIR, babalawo Ivanir dos Santos iniciou a reunião falando sobre o encontro com o Papa. “Foi uma demonstração de respeito e a representação de possibilidade de convívio entre todos. Foi um ótimo exemplo para todo o mundo”, declarou.

‘Enriquecimento’

Dom Antônio Augusto, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, representou o arcebispo, Dom Orani Tempesta, e falou também sobre a vinda do Papa Francisco à Cidade Maravilhosa. “O Papa ratificou que o outro, para nós, é um enriquecimento, principalmente no campo da religião. Percebemos isso na relação dos outros com o sagrado. Temos de ver o outro que está ao nosso lado como um mestre, com quem muito aprenderemos”, disse.

Gerson Hochman, vice-presidente da Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj) agradeceu ao grupo e ratificou a importância do trabalho. “É algo que a Comunidade Judaica acredita e trabalhará sempre ao lado das outras religiões”.

Sami Isbelle, da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro (SBMRJ), destacou que a CCIR já é uma família, e que as atividades não param de crescer. “Já estamos na sexta caminhada. Isso é um prazer muito grande. Respeitamos nossos irmãos de outras religiões, e a Comissão tem sido um exemplo dessa união”.

Marilúcia Pinheiro falou pelos Bahá’ís. “Tivemos, no fim do mês passado, um irmão assassinado no Irã pelo fato de ser Bahá’í. Temos que buscar por um caminho pelo estabelecimento da paz. Somente caminhando, iremos nos entender”.

Edna Santos, do Conselho Espírita do Rio de Janeiro (CEERJ), falou que se emociona com a integração das religiões, e que a Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa é um trabalho de formação moral. “Parabéns ao Ivanir e a todos os membros. Este trabalho tem resultados muito precisos”.

Og Sperle, presidente da União Wicca do Brasil (UWB), falou que, assim como Umbanda, Candomblé e muitas outras religiões, seu segmento faz muita questão de participar da marcha pelo fato de que muitas pessoas não conhecem as religiões neopagãs e, sendo assim, sofrem muito preconceito.

Raga Bhumi, dos Hare Krshnas, destacou que, nesta caminhada, vestirá a camisa de todos os religiosos que estão em presídios e sofrem. Pediu pela paz, e declarou que caminhará contra as injustiças. “Este ano, vestirei a camisa dos que precisam ser defendidos, principalmente mulheres e crianças”.

Coronel Ubiratan Ângelo, que representa a Maçonaria, falou sobre sua satisfação em participar do trabalho. E que a palavra maçom significa, em francês, operário. “É assim que me sinto no trabalho da Comissão. Há ainda o que lutar, mas muitas coisas já foram realizadas”.

O delegado Henrique Pessoa, que representa a Polícia Civil na Comissão, sente-se honrado com o trabalho na CCIR e que, hoje, além de ter um compromisso da instituição com a liberdade religiosa, sente-se como uma vítima. “Um pastor evangélico postou um vídeo na Internet falando de minha filha, tem perseguido minha família. Tenho acompanhado todo o trabalho do grupo desde seu início, e sofro perseguição desde então. No entanto, é duro mexer com nossos familiares”.

Na coletiva, o delegado foi aplaudido e recebeu a solidariedade de todos.

O representante da Comunidade Indígena fez saudação antes do início de sua fala.

“A terra é nossa mãe, responsável por acolher seus filhos. Não vemos negros ou brancos, vemos apenas a raça humana. Todos sabemos que nossa origem dentro desse continente vem unificando. Quero dar os parabéns a vocês, pois esse é um momento muito importante para o meu povo”.

Cláudio Nascimento discursou sobre a participação do Governo do Estado nas Caminhadas. “O Governo acredita que é uma obrigação participar deste evento. A Caminhada tem um papel importante para mobilizar corações a fim de que todos tenham seus direitos garantidos. A caminhada é importantíssima para o trabalho de enfrentamento à intolerância religiosa. O Estado precisa trabalhar uma perspectiva de laicidade, porém isso não pode omitir seu papel de enfrentar a discriminação. É difícil para todos, mas algo nos une”, falou Nascimento.

Ivanir ainda falou sobre o caso de Vaz Lobo, onde há casa de Candomblé sofrendo constantes ameaças de traficantes que se dizem evangélicos.

“Essas pessoas não são evangélicas. Religioso não faz isso. Fomos ao Ministério Público denunciar. Vamos aguardar as apurações. Precisamos garantir a segurança das pessoas. Por isso, não falaremos muito hoje sobre o caso”.

A fundadora da CCIR, Fátima Damas, ressaltou que o que tem unido todos é a dor, o sofrimento. “Todo tipo de intolerância, a fé que nos sustenta, tudo isso tem sido atingido, e não temos respaldo de nossas autoridades, do poder público. O tráfico não pode se dizer evangélico para expulsar pessoas. Estamos vendo as coisas acontecerem, mas nada tem sido feito. A Comissão vem lutando desde que fecharam as casas na Ilha do Governador (2008). Estou há 45 anos na Umbanda e nunca deixei de sofrer”, revelou a umbandista, que completou com indignação. “Falta boa vontade para paralisar essa intolerância. Alguém tem que botar pra fora essa tristeza. Não sabemos quantas casas passam por isso aí pelo Brasil. As pessoas têm medo de serem mortas e, é claro, não vão denunciar”.

 

Ivanir dos Santos agradeceu a todas as pessoas que vêm de outros estados e mostrou evangélicos que estão, anualmente, na caminhada. “Fiz o convite ao Silas Malafaia no programa ‘Na Moral’. Se ele vem, não sei. Mas quero ressaltar que o segmento evangélico sempre está presente e que, e nome de todos os membros dessa religião, seguiremos de braços dados”.

Os budistas fecharam a coletiva dizendo que trouxeram ônibus de todos os estados do País e desejaram rapidamente boa caminhada a todos.

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