Comissão de Combate à Intolerância Religiosa se reúne para que templos não sejam derrubados na Zona Oeste/RJ

 

Por Ricardo Rubim

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) esteve reunida, no último domingo, 19 de dezembro, no “Ilê Axé de Ogum e Yemanjá”, dirigido por Pai Sérgio Luiz Romano Campos, para discutir a ameaça de desapropriação de templos da Vila Harmonia, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Representantes do Candomblé, Umbanda, Igreja Católica, evangélicos e judeus estiveram juntos para tentar um diálogo com a prefeitura em relação à inconstitucionalidade de se derrubar as propriedades religiosas. Mais de 50 compreendem aquela região.

 

Para o interlocutor da CCIR, babalawo Ivanir dos Santos, a questão é grave por se tratar de lugares que cuidam do que é de mais sagrado para todos. “É preciso levar em consideração o fato de que a fé mexe com os corpos e com as almas de todos. A preocupação da CCIR é justamente fazer com que haja igualdade entre as religiões. Com igrejas, houve acordos. Com centros de religiões de matrizes africanas, o tratamento, segundo o que os sacerdotes dizem, tem sido diferente. O que não pode acontecer. Sendo assim, queremos chamar atenção do prefeito para que todos sejam tratados da mesma forma”, disse o babalawo.

Segundo o proprietário de onde aconteceu o encontro, igrejas recebem seus valores normalmente e, antes de qualquer coisa, há acertos para que só se derrubem os templos após acertada indenização ou remoção adequada. “Com algumas igrejas, houve conversa para indenização. Conosco, de religiões de matrizes africanas, somos classificados como ‘comércio’. Por que esta diferença? O que nós temos de ‘comércio’?”, indagou Sérgio.

 

Palavra de líderes

Para o pastor da Igreja Presbiteriana de Jacarepaguá, reverendo Marcos Amaral, é preciso que, como cidadãos, todos tenham o mesmo tratamento e sejam respeitados perante a Constituição. “Estou aqui para que entendam que todos somos iguais quando temos fé. Em primeiro lugar, somos cidadãos e pagamos os mesmos impostos. E, além disso, todos buscam, como lideranças religiosas, o conforto para outras pessoas. É inadmissível essa forma de diferenciar”, disse.

padre Gegê, do Fórum Dom Hélder Câmara, diz que o propósito de sua religião está diretamente ligado com os irmãos. “Religião é isso: ligação com o próximo. Você não pode estar bem sabendo que um irmão passa por dificuldades. Aqui, muitas pessoas passam por um problema sem tamanho. Imagine o que é ter um templo religioso num local há 30 anos e ter que se mudar de uma hora para a outra! A CCIR quer apenas que a prefeitura abra espaço para que esses religiosos exponham suas condições. Vamos estar com eles a todo instante”, garantiu.

Fátima Damas, representante da Umbanda e dirigente da Congregação Espírita Umbandista do Brasil, encontrava-se em estado de choque. “Me coloco no lugar dessas pessoas e vejo a vida indo embora. Não se joga uma história no lixo. Não falo apenas de história de vida, mas nossa religião tem sofrido discriminações por todas as partes. Precisamos fazer com que as autoridades sejam as primeiras a acabar com isso. A Comissão quer apenas ajudar. E tenho certeza que vamos conseguir”, declarou.

Sarita Schuffel, representante da comunidade judaica, também apoiou as falas das lideranças religiosas e salientou que também estará junto à CCIR. “Estou estarrecida com tamanha diferença. Nosso segmento não consegue ver qualquer tipo de diferenciação com bons olhos. Estaremos sempre na luta pela liberdade de crença”.

 

Ricardo Rubim

Coordenador de Comunicação da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) e do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP)

 

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