Dai de graça o que de graça recebeis

Por Marilena Mattos

Dai de graça o que de graça recebeis

Nenhuma frase simboliza melhor a forma com que a Umbanda pratica a caridade.

Nós, umbandistas, acreditamos que somos apenas instrumentos de uma missão maior. Não somos especiais ou super dotados, mas apenas abençoados pelo Pai, que nos permite ser um veículo para a sua vontade.

Acreditamos que as graças são alcançadas pelo merecimento de cada ser humano e cabe aos Orixás e Guias intercederem por elas ou, em muitos casos, fortalecerem aquela pessoa que por missão ou carma não tenha seu pedido realizado.

Aprendemos que, muitas vezes, todos nós, humanos que somos, queremos fortemente algo que não necessariamente será o melhor para nossa evolução. Constantemente, vivemos o presente, somos imediatistas, queremos receber os resultados já. Mas a Umbanda ensina que essa vida na Terra é uma passagem, uma escola, onde aprenderemos, evoluiremos (ou não) e partiremos para um novo desafio. É preciso ter calma, tranquilidade e, acima de tudo, fé para aceitar sem revolta cada queda e ter fôlego para não se acomodar e continuar a caminhar.

Zambi é justo e não dá a um filho seu uma cruz mais pesada do que a força que ele tem para carregar. E nem as nossas derrotas e vitórias acontecem sem a vontade Dele.

Então, para nós Umbandistas, não haveria sentido em sermos remunerados por uma graça que não realizamos. Emprestamos nossa matéria aos mensageiros de Oxalá, nos dedicamos com devoção e fé, mas não somos os autores dos trabalhos realizados. Esse mérito não é nosso. Nossos guias, com a permissão do Pai, são quem merecem retribuição. E essa retribuição, a nosso ver, é nos doarmos cada vez mais, cultivando o amor ao próximo em nossos corações, fazendo o bem sem olhar a quem, sem nos importarmos com cor, credo e muito menos situação financeira.

 

 

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