Dificuldade em discutir racismo prejudica ensino

Nenhum currículo de ensino religioso vai dar conta de todas as especificidades ligadas ao tema. A opinião foi manifestada pela Professora Sandra Gurgel, da rede escolar municipal e da estadual, no Congresso História, Experiências Religiosas e Democracia. Na análise de Sandra Gurgel o ideal seria o ensino ministrado em uma disciplina denominada Ciência da Religião e não aulas de religiosidade confessional. A educadora aponta como maior obstáculo a superar no Brasil a dificuldade em discutir o racismo em um país racista. Além disto, segundo a Professora, predomina a cosmovisão do individualismo e do mercado.

Ao participar da mesa Escola Pública e Ensino Religioso Sandra Gurgel afirmou que não quer ter sempre o Cristianismo como parâmetro. Sublinhou que para ver o outro como o outro é preciso tirar as vestes da certeza e colocar as da incerteza. Indagou se é possível existir ensino religioso confessional sem se fazer proselitismo e se isto seria uma prática de Estado laico. Para a Professora é urgente adotar uma alternativa menos agressiva do que o ensino confessional aplicado em escolas públicas de três unidades da Federação.

Na mesma mesa a Professora Regina Bustamante, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou que mais importante do que a tolerância é o respeito â diversidade. Acrescentou que o ensino de História deve ser feito em prol do respeito à diversidade religiosa.

O representante da Comunidade Luterana , Professor Pedro Puentes, afirmou que alguns achavam que o ensino de Religião seria um instrumente para ajudar à paz e o Brasil também entrou nesse processo. Ele disse que, se o objetivo principal era a paz é necessário indagar se ele se perdeu no caminho ou se nunca entrou no caminho.

A platéia teve papel importante após a apresentação dos palestrantes, com significativa presença de professores de nível fundamental e médio. Sandra Gurgel respondeu a um deles no sentido de que a adoção de ensino religioso confessional foi decisão que saiu de gabinetes e de reuniões com Religiões e entre elas. Em sua avaliação é preciso ouvir os profissionais da categoria.

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