História e Debate: Intolerância religiosa no período do império

 

História e Debate Intolerância religiosa no período do império

Relatos históricos comprovam que em vários momentos houve atitudes de perseguição e intolerância aos protestantes por parte de alguns católicos. E o pior é que, os protestantes quando procuravam os seus direitos nem sempre eram atendidos. Exemplo disso é que pudemos ver no Jornal A Imprensa Evangelica , datado em 3 de janeiro de 1874 publicado no Rio de Janeiro:
No dia 18 de Dezembro p. p. reuniram-se varias pessoas de differentes nações para lerem pacificamente as Escripturas Sagradas e darem culto conforme a Deus conforme a religião evangélica que professavam. Eram 7 ½ horas da noite, rua do Passo da Patria em S. Domingos.

Pelas 8 horas foram interrompidas por pedradas que quebraram as vidraças e continuaram por quasi meia hora. Não appareceu patrulha nem autoridade. No dia 9 o inquillino da casa foi com um amigo dar parte ao sub-delegado do districto, que multou-os e declarou os ajuntamentos illicitos, e que não daria passo algum para a protecção dos assistentes. No dia 20 o interessado com três amigos dirigiram-se ao Sr. Dr. Chefe da policia, que não quiz escuta-los, dizendo que taes ajuntamentos eram prohibidos e que fossem fazer heresias no cume do Pão de Assucar. Informado d’estes successos fez o pastor da igreja da qual são membros os congregados, um requerimento ao subdelegado.

O portador da petição foi insultado e trouxe uma resposta verbal no dia 24. No dia 26 indo-se buscar o despacho, foi dito que essa autoridade não estava para aturar sécas. No dia 27, o mesmo pastor, Dr. Roberto Reid Kalley, requereu ao chefe de policia que lhes désse garantias, narrando todo o ocorrido. Á essa petição feita nos devidos termos, deu o chefe de policia o seguinte despacho: _ “Não tem lugar, nem concedo licença para taes reuniões. Secretaria, 27 de Dezembro de 1873.” _ Hollanda Calvacanti. Este despacho illegal, vergonhoso, inquisitorial, é firmado por um magistrado brasileiro, que ao forma-se em direito, prestou juramento de manter a constituição do paiz, e que ao tomar posse do cargo que occupa, prestou sem dúvida, juramento de guarda e cumprir fielmente as leis, e não obstante, em face da constituição e das leis, não teve vergonha de dar este despacho ridículo a um requerimento que lhes pediu simplesmente o cumprimento de seus deveres officiaes. O Sr. Hollanda Cavalcanti deve saber que não lhe compete nem dar nem negar licença para taes reunões.

Esta licença está consagrada na constituição do império, e a lei ordena ao magistrado que a torne effectiva, garantindo a todos os habitantes do paiz o gozo efetivo d’este direito inalienável do homem. O Sr. Chefe de policia por este seu acto está incurso nas penas do Codigo Criminal, Art. 180. Porque é que o governo, que está processando os bispos desobedientes, não chama a responsabilidade de seus delegados civis, que, ou por ignorancia ou perversidade, desprezam as leis do paiz e dasattendem aos avisos directos e positivos do próprio governo sobre a matéria em questão? Será por praticar e permittir desacatos d’esta ordem que o governo quer attrahir emigrantes para o Brasil?

Informações Adicionais: O Jornal A Imprensa Evangélica teve redator principal o Rev. Simonton durante os seus três primeiros anos. “Circulou durante 28 anos (1864-1892), foi o primeiro periódico protestante do Brasil, pelo menos o primeiro em lingua portuguesa. Os originais do número inicial foram levados à Tipografia Universal dos irmãos Laemmert no dia 25 de outubro de 1864, sendo publicado em 5 de novembro, com uma tiragem de 450 exemplares. Devido as ameaças sofridas por esses editores protestantes, a partir do segundo número o jornal passou a ser impresso pela Tipografia Perseverança. Projeto inicialmente como um semanário, acabou sendo publicado duas vezes por mês. (…) O jornal era subvencionado pela missão norte-americana, sediada em Nova York. Em outubro de 1879 a redação foi transferida para São Paulo e os jovens pastores nacionais passaram a colaborar com artigos assinados. (…) O periódico voltou para o Rio de Janeiro em outubro de 1889 e novamente para São Paulo em maio de 1891, ali encerrando a sua carreira no ano seguinte.”

Cf. MATOS, Alderi Souza, A Atividade Literária dos Presbiterianos no Brasil, In,Fides Reformata Vol. XII, número 2 de 2007, p. 45.
OBS: Foi mantido o texto original, ou seja, sem fazer correções.

Fonte: Blog História e Debate

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