Ivanir do Santos participa de celebração pelos 86 anos da Mangueira

As religiões de matriz africana fazem parte da história de muitas escolas de samba. A relação entre o ritmo e fé é muito mais próxima do que se pode imaginar. E, com o G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira, uma das mais antigas agremiações do Rio e de onde saíram grandes nomes do samba, – como Carlos CachaçaCartola, Jamelão, Xangô da Mangueira, Dona Zica, entre outros -, não é diferente. E, fazendo um tributo à ancestralidade, o interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), babalawo Ivanir dos Santos, participou, a convite da direção, de ato inter-religioso pelos 86 anos da Verde e Rosa, comemorados, na última segunda-feira, 28 de abril, e que contou, também, com a participação do padre Flávio, da paróquia Nossa Senhora da Consolata

Ivanir enfatizou a importância da celebração em relação à história do local. “A origem da fundação da escola tem a ver com o pessoal de religião de matriz africana. Zé Espinguela, um dos fundadores da Mangueira, era pai de santo e sacerdote muito conhecido, aqui nessa região. Minha avó de criação, a Vovó Lucila, foi filha de santo dele”, contou.

Agradecimento

O culto inter-religioso, que abriu as festividades da noite, começou com Padre Flávio incensando o altar e pedindo que o público agradecesse a Deus pela escola de samba, e pelas pessoas que por ela passaram. “Que a presença de cada um de nós aqui seja uma memória de outros tantos que passaram nesses anos de vida e de vitória. Que Deus conceda paz e fraternidade no coração de todos. Dom Orani Tempesta manda um abraço e uma benção especial à Mangueira”, disse o religioso, que convocou a todos a rezar um Pai-Nosso.

“O samba, a música e o cantar das pessoas deve ser algo que favoreça a paz, a fraternidade. A Igreja deve apoiar, incentivar. Cantar e dançar não são pecados. É alegria e presença de Deus na nossa vida”, destacou Padre Flávio, que ainda apontou a presença da inter-religiosidade no evento como uma questão de respeito e fé.

Ivanir, ao começar sua parte no culto, falou sobre a emoção de comparecer à festa da comunidade onde cresceu, e reforçou o vínculo religioso.“Receber o convite para estar aqui foi tão emocionante quanto meu encontro com o Papa. Queria invocar, como ancestres, os fundadores da escola: Zé Espinguela, um sacerdote de Oxossi; Júlio Dias, um homem de Xangô Ayrá; e Tia Fé, que era de Iansã. Não podemos esquecer que a maioria das escolas de samba do Rio nasceu a partir de religiosos. Nós temos de ter orgulho disso”, afirmou.

Em seguida, o babalawo deu início a um ritual em homenagem aos ancestrais, com bebida alcoólica e água. “Na cultura africana, temos o costume de saudar a terra, primeiro com água. E gostaria de pedir a eles que cuidem da escola e da comunidade. Também é comum, na nossa cultura, saudar o ancestral com bebida alcoólica”, explicou Ivanir, destacando também a figura de Exu Mangueira, entidade de Umbanda, que, segundo ele, tem relação com o surgimento do nome da escola.

Para encerrar sua participação, Ivanir fez uma homenagem a Oxalá, entoando um cântico conhecido dos adeptos do Candomblé, e que foi cantado por boa parte do público, em um momento de emoção e fé. “Onisá urê, aun laxé‚ Onisá urê oberi oman, onisá urê. Aun laxé‚ babá, onisá urê oberi oman”, cantavam todos em voz alta.

Para saudar os ancentres e desejar ao presidente e toda escola que tudo corresse bem, o babalawo pediu que os presentes batessem três paós (palmas que seguem determinado ritmo de repetições, param e voltam a ser batidas pelos presentes, sempre juntos).

A festa seguiu com discursos do presidente da escola, Chiquinho da Mangueira; do carnavalesco, Cid Carvalho; e com o show da Banda Signus, que animou o público até a madrugada.

 

 

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