Justiça une cigana e filha novamente

 

A família deve voltar com a menina para Jacutinga, Minas Gerais, onde mora.
Mas a Justiça determinou que o Conselho Tutelar acompanhe o caso para ver se os pais têm condições de cuidar da criança.

 

O momento do reencontro de uma criança com os pais. O afastamento deles nem durou tanto tempo assim, foi recente, mas as circunstâncias é que foram muito impressionantes. A ponto de a Justiça ter posto um fim na separação.

Depois de três dias, o reencontro. A criança de um ano e dois meses foi levada para um abrigo por ordem da Justiça. Uma denúncia anônima acusou a mãe, que é cigana, de pedir esmola no Centro de Jundiaí usando a criança para sensibilizar as pessoas.

Os pais negam. “Nós temos condição de cuidar da criança. Nós não pedimos esmola pela rua. Nós somos vendedores”, disse Jindreir Ferreira, pai da criança.

Na segunda-feira, a mãe foi imobilizada na delegacia por um guarda municipal e uma inspetora da Guarda retirou a menina à força.

O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê que o menor pode ser levado temporariamente para uma instituição se estiver sendo explorado, mas a psicóloga do abrigo, Caren Piacentini, criticou a forma usada para cumprir a determinação judicial.

“Houve uma violência, sim, principalmente em termos emocionais para essa criança, para essa mãe, que foram tiradas com força e violência uma da outra. Acredito que poderia ter sido de outra forma, trazendo essa mãe ao abrigo, fazendo com que ela visitasse a casa onde essa criança iria dormir, iria fazer as refeições, brincar”.

Em entrevista ao G1, o portal de notícias da Globo, a inspetora Isis Regina justificou a atitude. “A gente tentou de tudo, mas teve uma hora que teve que ser cumprido. Eu fiquei transtornada porque não é agradável ver uma situação dessa”.

Na saída da delegacia, a inspetora se senta no banco da frente do carro com a criança no colo, ignorando o conselho de um colega. “Banco traseiro!”.

O colega estava certo, segundo o Código Brasileiro de Trânsito. Criança dessa idade tem que viajar no banco de trás, numa cadeirinha especial. Quem não cumpre, está cometendo uma infração gravíssima e quando o passageiro não usa o cinto, como era o caso, caberia outra multa por infração grave.

A família deve voltar ainda nesta quinta com a menina para Jacutinga, Minas Gerais, onde mora. Mas a Justiça determinou que o Conselho Tutelar acompanhe o caso para ver se os pais têm condições de cuidar da criança.

“Vou deixá-la em casa, porque eu não vou levá-la mais para trabalhar”, afirmou a mãe.

FONTE: JORNAL NACIONAL – Edição 18.03.2010

 

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