Mais de 300 pessoas comparecem ao lançamento do DVD sobre a Terceira Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa

 

por Alexsander Fernandes


A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) lançou, na noite de segunda-feira, 24, o DVD “Caminhando a gente se entende”.  O evento foi realizado no Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro. A confraternização reuniu mais de 300 pessoas.  Foram umbandistas, candomblecistas, espíritas, judeus, católicos, muçulmanos, evangélicos, hare krishnas, budistas, ciganos, wiccanos, agnósticos e ateus provando que é possível caminhar juntos.

A produção, que tem o patrocínio da Petrobras, tem duração de 45 minutos e retrata a “Terceira Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa”, quando 120 mil pessoas lotaram a praia de Copacabana.  O documentário faz também um retrato do debate sobre intolerância religiosa no Brasil, com depoimentos de vítimas de preconceito e intolerância religiosa, representantes do Ministério Público e Policia Civil, e, de religiosos de diversos segmentos.

No filme dirigido por Luiz Antonio Pilar, a Lei 10639/03, que institui o ensino das histórias da África e da cultura afro-brasileira nas instituições de ensino do Brasil, tem grande destaque.

Para o coordenador de projetos do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), Éle Semog, “Os diversos segmentos acreditam que a implementação da lei é fundamental para diminuição do preconceito com as religiões de matrizes africanas”.

Segundo o interlocutor da CCIR, babalawo Ivanir dos Santos, a confraternização foi um chamado para a importância da liberdade de culto no País. “Estamos aqui celebrando a liberdade religiosa. Essa produção prova que diversos segmentos podem e devem caminhar juntos. É uma noite especial para todos nós, especialmente porque marca a morte de Mãe Gilda, uma vítima fatal da intolerância religiosa. Precisamos usar a comunicação para nos defender. Somos vítimas, todos os dias, de veículos, concessões públicas, que nos demonizam”, ressaltou.

Segundo Fátima Damas, presidente da Congregação Espírita Umbandista do Brasil (CEUB) e fundadora da Comissão, “A importância do DVD extrapola a necessidade de um registro histórico, de ações contínuas ao longo de três anos. É o símbolo da integração da Umbanda, falando em nosso caso, com outras religiões. Usando os mecanismos tecnológicos, como o Youtube, será um legado para as gerações futuras, um recurso pedagógico, uma fonte para debates. A Comissão pelos seus esforços de combate à intolerância religiosa e difusão de princípios religiosos poderá reviver o trabalho ímpar do CONDU – Conselho Nacional Deliberativo de Umbanda, nas décadas de 70 a 90, com um potencial maior, porque agrega outras religiões”, relembrou.

Forma de agradecimento

 

Todas as vítimas atendidas pelas CCIR receberam uma homenagem. De acordo com o mestre de cerimônia da noite, Pai Renato de Obaluaiê, “A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa agradece a todas as vítimas pela confiança no trabalho desempenhado. No dia de hoje, vocês são os nossos homenageados”.

Para a jornalista Rosiane Rodrigues, que também foi vítima de preconceito religioso, os orixás são os verdadeiros merecedores de todo o mérito. “Quem merece todas as honras e homenagens são Yemonjá e Exú. Eles conduzem meu caminho”, afirmou, agradecendo ao apoio que recebeu do interlocutor da CCIR.

Rosiane perdeu a guarda de seu filho e teve que se submeter a exames psicológicos por ter se iniciado para orixá.

Para Marco Xavier, dirigente espiritual da Tenda Espírita Caboclo Flecheiro, a crença em sua religião o faz cada vez mais forte. “A fé que tenho na Umbanda me mantém vivo. Não vou esmorecer”, garante.

O sacerdote recebe ataques constantes de um grupo de evangélicos. Os agressores ocupam uns quartos que estão dentro do centro onde Marco realiza seus cultos. O religioso ainda luta na Justiça pela ação de despejo.

A reunião lembrou o 21 de Janeiro, Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A data foi instituída pela morte da yalorixá Gilda de Ogum. A Sacerdotisa morreu depois de ter sua foto estampada no jornal Folha Universal, da Igreja Universal do Reino de Deus, com o título: “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”. A matéria afirmava estar crescendo no País um “mercado de enganação”.

Ao término da solenidade, os religiosos de diversos segmentos se confraternizaram no coquetel.



Comissão de Combate à Intolerância Religiosa – CCIR/RJ

Tel: 21 2273-3974 / 21 2232-7077

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