Membros da CCIR comemoram São Jorge e Ogum

 

Nesta segunda-feira, dia 23, ficou provado, mais uma vez, que o santo mais querido pelos cariocas é São Jorge (ou Ogum nas religiões de matrizes africanas). A data foi celebrada por três casas parceiras da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa: União Espiritualista de Umbanda do Estado do Rio de Janeiro, comandado por Carlos Novo, em Niterói; Ilé Axé D’Ogunjá Caboclo Pena Verde, liderado por Pai Renato D’Ogunjá, no Cachambi; e Congregação Espírita Umbandista do Brasil (Ceub), presidido por Mãe Fátima Damas, cujo evento foi realizado no Campo de Santana, Centro do Rio.

“Aqui é um lugar histórico, onde as lavadeiras de Nanã Burukê cantavam suas corimbas e lavavam roupas nesse lago. A decisão de celebrarmos este dia aqui tem a ver com o fato de ser uma área pública onde as pessoas podem passear e se divertir. E ainda fica ao lado da Igreja Matriz de São Jorge”, disse Mãe Fátima.

Porém, algumas dificuldades na realização do evento ficaram evidentes, como a liberação de apenas um acesso ao local e a não abertura dos banheiros públicos. “O presidente da Fundação Parques e Jardins, Davi Lessa, nos deu autorização, porém não nos deu as condições ideais, dificultando nosso direito de professar nossa fé”, reclamou a sacerdotisa.

No evento, era possível achar pessoas de diferentes religiões. Sheik ‘Abd Ar-Rastiyd, de 60 anos, é muçulmano e apreciava a cerimônia. “São Jorge é um santo com muitos devotos no mundo inteiro. A Ordem dos Cavaleiros é conhecidíssima na Inglaterra. O povo da Síria, Líbano, Turquia, entre outros países, toma São Jorge como intercessor de Deus”, explicou o sheik.

Taís Coelho, 26 anos, se diz espiritualizada. Após assistir à missa na igreja, atravessou a rua e foi conferir de perto o ritual umbandista. “Tenho simpatia por Ogum desde os meus 15 anos. A mensagem que eu gostaria de deixar é que o respeito ao próximo seja posto em prática. Toda religião tem que ser respeitada, até mesmo a escolha de não seguir uma, como eu. Respeito e admiro todas as formas de expressar a fé”, falou.

Os irmãos André Luiz e Luiz André Clemente, 22 anos, fazem parte do Templo Espírita Ogum Megê e participaram da celebração. Ambos são umbandistas desde que nasceram, seguindo a tradição de duas gerações. “Antigamente, sofríamos preconceito na escola, já tivemos algumas dificuldades em entrevistas de estágio também. Mas vemos um futuro de mais tolerância entre as pessoas. O espaço na mídia aumentou, e isso faz com que as pessoas tenham orgulho em assumir sua orientação religiosa, seja umbandista ou candomblecista. É preciso respeitar as diferenças”, finalizaram.

Ao final, Mãe Fátima agradeceu a presença de todos e explicou que esta foi a forma que encontrou para dizer à sociedade que a Umbanda não tem ligação alguma com coisas ruins. “As pessoas vieram aqui e encontraram amor, caridade, fraternidade. Viemos para a natureza professar nossa fé e queremos ser respeitados como a religião do Brasil. Não quer dizer que somos melhores, porque a melhor religião é aquela que consegue transformar o homem. Chega de intolerância religiosa!”, pediu Mãe Fátima.

 

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