Milhares lotam Copacabana contra intolerância religiosa

 

Por: Redação Afropress e Ricardo Rubim*

 

Rio – Cento e vinte mil pessoas lotaram a orla da praia de Copacabana, no Rio, neste domingo (20/09), na 3ª Caminhada contra a Intolerância Religiosa, segundo avaliação da Polícia Militar. Caravanas de vários Estados do país de católicos, umbandistas, evangélicos, wiccanos e também de pessoas sem ligação com qualquer fé religiosa transformaram a Avenida Atlântica em um mar de gente.

Segundo a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), responsável pela organização da Caminhada a participação popular na manifestação vem crescendo desde 2002, quando 20 mil pessoas lotaram a orla. No ano passado, foram 80 mil.

Paz e união

A Caminhada terminou por volta das 17h, com fala do interlocutor da CCIR, babalawo Ivanir dos Santos. “Hoje é um dia para comemorações, pois, cada vez mais, as pessoas aderem a esse movimento, que é de todos nós. Não se faz com um grupo pequeno. Sinto-me feliz em ver tanta diversidade junta, caminhando e se amando, mostrando paz e união. Temos um grupo que insiste em nos atacar. No entanto, somos mais fortes e mostramos que o que vale é uma lei que o Criador ensinou: “Amai o próximo como a ti mesmo”. Devolvemos a esse pessoal o oposto que nos dão: amor”, disse Ivanir.

Encerrada a coletiva da Comissão de Combate à Intolerância Regiosa (CCIR), que promove a Caminhada, a multidão seguiu em direção ao Leme ao som do projeto-escola Olodum, em clima de união e alegria.

No final da manifestação, a cantora maranhense Rita Ribeiro, levantou o público com canções do seu último CD, Tecnomacumba.

Documentário

Luz, câmera, ação. De frente para a máquina, a candomblecista Irenice de Jesus entoa energicamente “Ajayô, Ajayô, Ajayô”. Ao lado dela, um dos representantes da Igreja Católica para a III Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa observa as expressões da religiosa e, respeitosamente, aguarda a vez de dar o seu testemunho, de acordo com os preceitos da sua religião. E, assim, passaram pelas câmeras do diretor Luiz Antônio Pilar membros das mais diversas religiões, que estiveram presentes no megaencontro.

Pilar, como é mais conhecido, ficou responsável pela produção do documentário, que registrou em imagens a III Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa. Em princípio, o material era para fins institucionais, mas, com o sucesso do evento, a Comissão de Combate a Intolerância Religiosa (CCIR), que detém os direitos autorais do trabalho, está negociando a veiculação do documentário com alguns canais do circuito fechado de TV.

Na visão profissional de Pilar, “através deste documentário, será possível mostrar ao Brasil e ao mundo que vivemos num país de diversidades, mas em um lugar possível de se viver bem e com respeito mutuo”.

“A Caminhada na orla de Copacabana é exemplar. Estas pessoas aqui em frente à minha câmera é maravilhoso. Então, vamos mostrar isso para o mundo”, disse o diretor.

FONTE: Afropress – Notícias


* Ricardo Rubim é Coordenador de Comunicação da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) e do CEAP/RJ

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