O verbo que habita em nós

 

Por Babalawo Ivanir dos Santos


O verbo que habita em nós

O berço da humanidade irradiou-se, assim como os ensinamentos do Criador, perpetuaram-se. A prática do perdão, a solidariedade, o respeito ao próximo, a preservação da família, a louvação da vida e a profunda ligação com Ele, através da natureza, permanecem até os nossos dias. Esses princípios norteiam as mais diversas tradições religiosas nos cinco continentes. O princípio do amor e sabedoria do Criador é o mesmo em todas as crenças.

Antes de Moisés receber as Tábuas Sagradas – onde a Lei foi escrita – houve Abraão, patriarca de Isaac e Ismael. De sua descendência originaram três grandes povos: os judeus, os cristãos e os muçulmanos. Muito antes de Abraão, estiveram Noé e Adão. E como deveria ser, já havia o Verbo – codificado numa cultura oral, revelado pela ancestralidade – que expandiu-se para os cinco cantos da terra. Esta expansão fez com que a Palavra do Criador ganhasse novas cores, matizes, registros e práticas.

Tudo que é bom e justo emana de um único Deus, que hoje pode ter muitos nomes e cultos. Mas, seus princípios foram antes cultuados, praticados e perpetuados por um único povo: primordial e resistente, criado a Sua imagem e semelhança.

São esses fatos que nos fazem ter tanta dificuldade em entender a intolerância, o preconceito e a violência praticados em nome de Deus (?), contra os religiosos do candomblé e da umbanda ou de qualquer outra religião. A religiosidade africana é a prática de uma doutrina baseada em valores de paz, justiça, amor fraterno e sacralização da vida.

“No início era o verbo”. No alvorecer dos tempos havia apenas um continente, um povo, uma única raça. Esta é a história de minha tradição religiosa. Foi com a força da palavra que Olorum (Deus) criou a luz, a natureza, o mundo e tudo que habita nele. O verbo – traduzido em oralidade – é o que sustenta e o que mantém as várias tradições religiosas oriundas da África.

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