Obras da Transoeste: CCIR pede suspensão de derrubada de templo na Vila Harmonia

 

 

Vários sacerdotes estiveram no Templo de Ogum e Iemanjá, em dezembro de 2010, para apoiar o candomblecista ameaçado de perder o centro

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) pediu, no início desta madrugada (25), através de sua coordenadoria jurídica, a suspensão da retirada de pessoas e da demolição do templo religioso Ilê Axé de Ogum e Iemanjá (Vila Harmonia) devido a obras da Transoeste. O advogado Mário Fonseca acredita que a Prefeitura do Rio de Janeiro não pode dar continuidade à demolição por ainda caber recurso. Segundo o representante da CCIR, o desembargador deu decisão monocrática sobre o caso e, sendo assim, ainda cabe agravo interno, quando outros dois desembargadores devem tomar conhecimento do recurso.

“A intenção é pedir que nada seja demolido enquanto o agravo não terminar”, disse o advogado.

 

A Procuradoria pegou o processo inicial em 23 de fevereiro de 2011, e nele tem a decisão do desembargador em conceder a liminar que favorece ao religioso.

A Defensoria Pública perdeu o recurso e tomou conhecimento disso no dia 24 de fevereiro, quando funcionários da Subprefeitura da Barra da Tijuca foram ao local e deram início à desapropriação e derrubada do terreiro. Na mesma data, a DP entrou com agravo interno. Desta forma, a Prefeitura do Rio de Janeiro retomou os trabalhos na Vila Harmonia de forma precipitada.

Templo está com fiel em resguardo

Segundo o sacerdote do Candomblé Sérgio D´Ogum, há uma fiel no terreiro de preceito. Ela está acolhida para orixá e, por isso, também deve ser respeitada.

“Esta moça passa, neste momento, por uma das fases mais sagradas para os seguidores de nossa religião. Não sei mais o que fazer para convencer que meu centro também é um templo religioso, assim como as igrejas aqui da comunidade que foram indenizadas. Minha esperança é que a Comissão consiga interceder perante a Justiça”, disse o candomblecista.

Em 19 de dezembro de 2010, católicos, umbandistas, evangélicos e membros de vários segmentos religiosos fizeram um ato na Vila Harmonia contra a ação da Prefeitura do Rio.

Para o interlocutor da Comissão, babalawo Ivanir dos Santos, a questão é muito grave por tratar de direito de cidadãos e interferir na questão da fé. “É preciso levar em consideração o fato de que a fé mexe com os corpos e com as almas de todos. A preocupação da CCIR é justamente fazer com que haja igualdade entre as religiões. Com igrejas, houve acordos. Com centros de religiões de matrizes africanas, o tratamento, segundo o que os sacerdotes dizem, tem sido diferente. O que não pode acontecer. Sendo assim, queremos chamar atenção do prefeito para que todos sejam tratados da mesma forma”.


Comissão de Combate à Intolerância Religiosa
Ricardo Rubim – Coordenador de Comunicação CCIR/RJ
Tel: 21 7846-0412 / 21 2273-3974

 

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