Pastores e adeptos do candomblé se unem pelo combate à intolerância religiosa

A diferença de crenças não foi empecilho para que pastores e representantes de terreiros se reunissem na tarde desta quarta-feira (10), no Ilê Axé Obá Babá Xére, em Cajazeiras XI. O objetivo do encontro foi buscar soluções para o combate à intolerância religiosa, em especial ao caso da Pedra de Xangô. O monumento – sagrado para adeptos de religiões de matriz africana e situado em Cajazeiras X – foi alvo, no mês passado, de pichação, despejo de aproximadamente 200 quilos de sal e quebra de oferendas.
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Na ocasião, os participantes se colocaram à disposição para articular audiência pública na região, encontro com membros da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, vinculada à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi), e diálogo com parlamentares da bancada evangélica, inicialmente a nível estadual.
“Precisamos assegurar que o Brasil seja um Estado laico de fato, onde todas as religiões sejam possíveis e os deputados não defendam a sua fé, mas o direito do povo brasileiro ser e existir com toda a sua diversidade”, afirmou a diretora-executiva da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese) e pastora da Igreja Presbiteriana Unida, Sônia Mota.
Esta atividade resulta de um plano de ações para proteção da Pedra de Xangô, elaborado durante encontros convocados pela Sepromi entre povos de terreiros e membros dos poderes públicos estadual e municipal, a partir de denúncia protocolada no Centro de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela. Também já foi realizada, como fruto deste trabalho, uma aula no monumento para estudantes da rede pública de ensino da região.
Encaminhamentos
Nesta sexta-feira (12), haverá ainda uma visita de técnicos das secretarias e dos órgãos públicos no entorno da Pedra de Xangô para identificar as áreas que poderão ser destinadas à construção de um parque de proteção ambiental, outra sugestão levantada nessas reuniões. A concentração será às 9h, no Ilê Tomim Kiosésé Ayó, em Cajazeiras XI.
“Este é mais um desdobramento do diálogo que estamos construindo. Temos um papel fundamental, enquanto Sepromi, de reafirmar a importância das religiões de matriz africana e garantir que todos tenham liberdade de culto”, disse o secretário estadual de Promoção da Igualdade Racial, Raimundo Nascimento.
Entre outras medidas acertadas, destacam-se o tombamento e registro especial da Pedra, pela Fundação Gregório de Matos (FGM) e Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia (IPAC), respectivamente. Também foram solicitadas rondas policiais, limpeza, iluminação e criação de um fórum de acompanhamento das ações, que incluirá sociedade civil e governos estadual e municipal, não só para Pedra de Xangô, mas com a perspectiva de atuação em outros casos relacionados.

Respeito às diferenças
Mãe Branca de Xangô, ialorixá do terreiro que sediou a reunião, considerou as discussões produtivas. “Este primeiro momento, com evangélicos e candomblecistas, foi muito bom. Estamos alegres porque vamos continuar com a nossa luta, elaborando outros projetos”.
A pastora Sônia Mota ressaltou que o encontro é “um grande avanço e marco para que pessoas de outras religiões possam perceber que é possível a gente sentar e dialogar com respeito, embora saibamos que temos as nossas diferenças, mas que a diversidade faz parte da vida, e precisamos reconhecer isso”.
Além da Cese e da Sepromi, estiveram presentes representantes do Conselho Ecumênico Baiano de Igrejas Cristãs (Cebic) e de religiões de matriz africana em Salvador, como Mãe Iara, do Ilê Tomim Kiosésé Ayó. Ela informou que existem 76 terreiros somente no Loteamento Santo Antônio, onde a reunião foi realizada, e mais de 500 na região de Cajazeiras.
Clique aqui para conferir outras fotos da reunião

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