Pessach, os Judeus e Todos Nós

 

Por Michel Gherman

O Pessach, a Páscoa judaica, é comemorada por judeus no mundo inteiro durante oito dias a partir da data judaica de 14 de Nissan, que costuma cair entre os meses de Março e Abril do calendário Gregoriano.

A celebração de pessach se dá a partir de encontros familiares em trono de fartas mesas com comídas tipicas. O que diferencia porém esse feriado judaico de qualquer outra festifidade é o forte caráter de simbologia que cerca este data. O pessach relembra a libertação dos judeus da Escravidão no Egito. Nesse sentido o jantar de pessach não é somente um momento de encontro e de refeição em conjunto, mas é um momento fortemente ritualizado de memória da escravidão e da libertação do Egito.

Nesta dimensão ritualizada a janta está crivada de narrativas de liberdade. Assim cada elemento e cada alimento à mesa tem um significado. A pasta cinzenta de nozes (Charosset) nos lembra os tijolos do Egito, a pasta de raiz forte nos faz lembrar a amargura da vida de escravos, a Matzá (pão ázimo) significa a pressa com que os judeus saíram do Egito sem dar tempo para a fermentação do pão entre tantos outros elementos e referências à liberdade e a necessidade de luta contra a escravidão. Assim famílias se encontram durante horas para ter juntas momentos de reflexão onde conversam sobre opressão e libertade, escravidão e resistência.

Ao acompanharmos durante o jantar de Pessach a leitura da Hagadá (Manual da Pascoa) notamos uma narrativa nacional de libertação, onde o principal personagem de carne e osso é Moises. Entender a história pessoal deste líder nos permite a compreensao do real significado desta festa judaica.

Segundo o Livro Eôxodos (Shemot) Moisés foi criado por uma família egípcia, na casa do Faraó, não tendo consciencia de sua ascendência judaica. Apesar disso ao ver um escrevo judeu sendo agredido por um guardião egípcio Moisés intervém e salva o escravo das mão do opressor.

Aqui Moisés está claramente comprometido com a luta contra a escravidão e contra a opressão, ele não interfere na situação descrita por conta do escravo ser judeu, já que ele desconhece sua própria ascendência, Moisés de fato está lutando contra a opressão. Nesta passagem está o verdadeiro significado da festa de Pessach em nossos dias: a reflexão sobre a escravidão e sobre seus resultados deve ser feita por todos e a luta contra a opressão e a intolerância não deve estar somente sobre OS ombros de suas víitimas mas nas mãos de todos.

Assim, aproveitemos as reflexões sobre a escravidão no Seder (Janta) de Pessach e façamos uma análise sobre a liberdade em nossos dias e seguindo o exemplo de Moisés estejamos prontos para interferir na luta contra a discriminação, a opressão e a intolerância quaisquer que forem suam vítimas.


Michel Gherman é membro do Instituto Hillel - da Juventude Judaica

 

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