Religiosos e autoridades se reúnem para fazer o lançamento da Quarta Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa


Por Alexsander Fernandes


Foi dado o ponto de partida para a “Quarta Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa”. Fiéis de diversos credos estiveram reunidos, na noite de 03 de maio, no Auditório 11 da UERJ, para a “Primeira Plenária de Mobilização” para a grande marcha. O evento acontece todo ano, no terceiro domingo de setembro, no Posto Seis.

O encontro foi aberto com o DVD “Caminhando a gente se entende”, que retrata a “Terceira Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa”, quando 120 mil pessoas lotaram a Orla de Copacabana. Em seguida, o interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), babalawo Ivanir dos Santos, fez a abertura da reunião.

“Vamos trabalhar arduamente para a construção da Quarta Caminhada, que começa hoje. Temos que continuar trabalhando com seriedade para o bem da democracia do nosso País. Importantes parcerias estão chegando para essa construção. Estamos construindo uma agenda séria. Vamos trabalhar para colocar 200 mil religiosos caminhando com fé, confiando na garantia de um Estado laico”, motivou o babalawo, que seguiu com a plenária mostrando slides dos trabalhos iniciais do evento.

Assuntos como identidade visual, plano de ações, estrutura técnica e possibilidades de transportes e hospedagens para pessoas de outros estados foram colocados na pauta do encontro.

Depoimentos marcantes

“Estamos aqui para ajudar no que for preciso, com todo o apoio que a Globo pode oferecer”, declarou a representante da Responsabilidade Social da emissora, Márcia Balster.

Desde a Primeira Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, em 2008, a Rede Globo se faz parceira da Comissão em vários aspectos.

Representando o secretário estadual de Trabalho e Renda, Sérgio Zveiter, Alex Lisboa também falou que a pasta caminha com a CCIR. “Estamos assumindo o compromisso de estar juntos pela construção da Quarta Caminhada”, disse Lisboa.

“Estamos participando pela responsabilidade que temos com a implementação da Lei 10.639/03. Estamos juntos na luta e à disposição para o que vier”, afirmou a representante da Coordenação de Diversidade da Secretaria de Educação, Rita de Cássia Rodrigues da Silva.

Assim como ela, o representante do superintendente da Igualdade Racial, Marcelo Dias, também ressaltou a parceria. “Estamos aqui para trabalhar”, disse Luiz.

“Estamos sendo chamados às nossas responsabilidades espirituais. Somos todos irmãos e originários de um mesmo Deus, o Criador. Deus tem muitos nomes, mas é um só. A ideia da caminhada é uma inspiração sagrada e divina”, discursou o presidente da União Espiritista de Umbanda do Brasil (UEUB), pai Pedro Miranda.

União crescente

Pároco da Igreja Santa Bernadete, em Higienópolis, Zona Norte do Rio, padre Gegê falou sobre a alegria de ver o crescimento da participação católica nos trabalhos realizados pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa. “Essa base da CCIR é muito importante. Fico muito feliz em ver o crescimento da participação da Igreja Católica nessa construção. De fato, o arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, olha o babalawo Ivanir dos Santos e todo nosso trabalho de forma muito séria”, confirmou.

Com o intuito de garantir a participação popular na marcha deste ano, o interlocutor se alegrou ao ouvir as palavras de Mestre Arerê. “Estamos organizando a capoeira para chegar à caminhada. Com certeza, teremos a adesão de muitos capoeiristas” – afirmou Arerê, que ratificou, também, o compromisso com a caminhada de seus companheiros Jorginho do Império e Marcelo Pacífico. Juntos, eles apresentam o programa “Barracão do Samba”, na “Rádio Livre”, AM.

“A ideia é ampliar, na caminhada, a participação da cultura popular”, completou Ivanir dos Santos.

“Temos dois caminhos diretos para mobilização: a religiosidade, para querer sempre um bem maior; e frequentar, às quartas-feiras, as reuniões da CCIR. Se tivermos sentindo a caminhada, será mais fácil mobilizar os outros”, convocou a vice-presidente do Movimento Umbanda do Amanhã (MUDA), Marilena Mattos.

- Estaremos sempre trabalhando para construir com essa caminhada – disse o representante da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro (SBMRJ), Fernando Celino.

Representante da Comunidade Judaica, Diane Kuperman mostrou-se animada para este ano. “É uma meta ambiciosa juntar 200 mil pessoas. Mas eu tenho fé que teremos esse publico. Deixamos à disposição os meios de comunicação judaicos. Vamos trabalhar com entusiasmo para esta caminhada”, declarou a diretora para Assuntos Inter-religiosos da Federação Israelita do Rio de Janeiro (FIERJ).

Mobilização do Budismo

Um dos fiéis falou em público sobre a disposição em convencer seu segmento para a participação na caminhada, De acordo com o budista Antonio Rocha, o Rio de Janeiro tem poucas pessoas neste segmento. No entanto, ele declarou se esforçar para levar mais seguidores da religião para a marcha de 2011. “Estou trabalhando para trazer os budistas de São Paulo e do Sul também. Contem comigo e com todos os budistas”.

“O lema Bahá’í é o serviço à humanidade. Podem contar conosco”, falou Daniel, membro da Comunidade Bahá’í do Rio de Janeiro.

Já o babalorixá e presidente da Irmandade Religiosa e Cultural Afro-brasileira do Rio de Janeiro (Irmafro), Renato de Obaluaê, incentivou a todos a convidar mais religiosos para a participação por um Estado laico. “O ponto inicial de hoje é o trabalho. O Brasil abre seus corações e recebe todos, independente de suas religiões. Temos que convidar o próximo. Cada religiosos deve se comprometer a levar pelo menos mais uma pessoa para a Quarta Caminhada”, opinou.

A reunião terminou com o compromisso das equipes de avanços nos trabalhos para a Segunda Plenária, que deve ocorrer em junho, e com o pedido do interlocutor pela mobilização.

 

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