Representantes da CCIR fecharão carta-compromisso

 

 

Foto de Alessandro Buzas

Representantes da CCIR fecharão carta-compromisso

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) reuniu-se, no auditório da UnigranRio da Lapa, na manhã do dia 16 de junho, com a finalidade de discutir pontos para uma carta a ser enviada aos candidatos que concorrerão às eleições deste ano. Paulo Baía, cientista político e professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS/UFRJ); e Helena Theodoro, coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab/Faetec), participaram da mesa com o pedagogo e interlocutor da CCIR , Ivanir dos Santos. Uma comissão de representantes de diversos segmentos ficou responsável pela organização do documento após as exposições de ideias.

Paulo Baía ressaltou que o conceito de paz está diretamente ligado ao da tolerância, e enfatizou que as diferenças de pensamentos são normais. “Onde se realiza a paz? Quando exercemos a tolerância, pois implica aceitação e respeito. Esta é minha pequena fala, que ainda encontra muita resistência, porque as pessoas querem convencer o outro de suas convicções. Ser tolerante significa aceitar todas as diferenças. Você pode dialogar contra a ideia do outro, mas sempre com respeito”, disse.

“Quem nos representa tem que estar alinhado com nossas propostas. Nós somos movidos pelo sagrado. Por todos os momentos, difíceis ou fáceis, agradecemos ao sagrado, não ao profano. Essas manifestações causam atitudes na vida, e no ato discriminatório é que o Estado interfere. Só quem mexe com a maneira de lidar com o outro no mundo é a educação. Por isso, nessas eleições, precisamos trabalhar com isso para exterminar com racismos e estereótipos”, discursou Theodoro, que completou com palavras sobre a confiança. “ Fazer com que a humanidade confie um no outro e entender que devo dar o primeiro passo respeitando. A diversidade é que faz a riqueza do mundo, e a intolerância religiosa é sinônimo de destruir o outro”.

Ao intermediar a mesa, o babalawo Ivanir dos Santos contou que já tinha encontrado com o atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e com o de São João de Meriti, Sandro Mattos. “Ao encontrar com os prefeitos, reivindiquei o porquê do “Povo de Santo” não ser lembrado em suas atividades religiosas, como os barcos de Iemanjá. Paes me disse que ele dava para esses eventos o que pediam. O Mattos me falou que nosso pessoal nunca o procurou. Então, é preciso refletir sobre isso. Não são só o Candomblé e a Umbanda que representam minorias religiosas. Há muitas outras. O papel da Comissão é justamente este: defender os direitos iguais para todos”, falou.

Outra contribuição destacada foi a de Ivan Neves, assessor do Ministério da Justiça. Ele alertou para o fato de que a carta-compromisso deve fazer uma ligação muito clara entre política e religião. “Esta carta tem que cumprir com o papel de mediação entre as duas coisas. A exemplo: o aumento de policiamento deve dar segurança à população, mas, se não trabalharmos com a ideia de mediação, o grupo que se apresenta na igreja é um; e, na sociedade, outro. A carta é o pensamento de paz que deve vir acompanhado de educação, saúde e todas as necessidades básicas para todos. Este não é um momento de separar, mas unir, já que todos os segmentos serão ouvidos”.

Além de muitas sugestões, como a de disponibilizar as cartas magnas nas instituições de ensino, foi deliberada uma comissão de membros da CCIR para o fechamento da carta.

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