Reunião deve aprovar lançamento de Afoxé em Campos

Uma reunião na Secretaria Municipal de Cultura de Campos vai começar a decidir esta semana sobre a aprovação do lançamento do primeiro grupo de afoxé na cidade. O entendimento para a realização do encontro surgiu durante o I Fórum de Religiosidade de Matrizes Africanas e Afro-brasileira, nos dias 31 de outubro e 1 de novembro, últimos em Campos, no Norte Fluminense. Várias outras propostas foram aprovadas no evento, entre elas a de que o Fórum passe a ser permanente e a da promoção de caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa no município. O fórum foi uma iniciativa da Secretaria Municipal de Família e Assistência Social.

Presente ao encontro, Orávio Campos, Superintendente da Secretaria de Cultura de Campos, confirmou a possibilidade da reunião com os representantes da comissão que organizou o fórum, casas de religião de origem africana, dos quilombos locais e dos assentados rurais. Orávio Campos informou já ter recebido solicitação de lançamento de um afoxé antes de 2014, mas o pedido chegou muito próximo do Carnaval e a idéia não foi adiante. O Babalawo Ivanir dos Santos, Conselheiro Estratégico do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap), assinalou que o afoxé vai fortalecer o turismo campista.

Na palestra de abertura a Professora Helena Theodoro assinalou que a sociedade brasileira vive e realiza a cada dia atitudes originadas na África e, ao mesmo tempo, tenta sufocar e esconder a influência africana no Brasil. O mesmo ocorre em relação à alimentação no país. A acadêmica destacou que, no século 19 a economia do Rio de Janeiro mudou profundamente com a venda de Acarajé por mulheres negras que haviam acabado de chegar de Salvador (BA).

Ao falar sobre a Lei 10.639/03, que determina o ensino de História da África e Cultura Negra, a professora Lana Lage Lima, da Universidade Estadual Norte Fluminense (Uenf), acentuou que o racismo brasileiro é o maior entreve que impede a efetiva aplicação da lei, passados mais de 10 anos da sua aprovação. A Professora Maria Clareth Reis, da Uenf, disse que os alunos que estão cursando faculdade para se tornarem professores estão tendo contato com o novo currículo. A Professora aposentada Maria Waleska da Silva disse que em Campos, no ensino fundamental, a Prefeitura providenciou a elaboração de cadernos e material didático específico e ações de capacitação de professores. Waleska da Silva disse que mesmo assim, a aplicação da lei é deficiente na rede de ensino.

A Ialorixá Jacila Barbosa, campista que fundou a Casa da Vó Joaquina, em Joinville (SC), disse que naquela cidade existe intolerância contra as religiões de matriz africana. Ele disse que esteve na Câmara de Vereadores daquela cidade e protestou contra os ataques. Revelou que foi criado um afoxé que abre o Carnaval da cidade catarinense e se apresenta no aniversário do município e em outras datas do calendário oficial. Os presentes ao fórum receberam cartilha com informações referentes à regularização de casas de terreiro. O advogado Jorge Batista de Assis se comprometeu a ajudar a encaminhar ao Ministério Público para que seja investigada a evidência apontada em estudo da Uenf no sentido de que comunidades de terreiros são vítimas de intolerância.

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