Sábado agitado pela mobilização para Quarta Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa

 

Em mais um evento preparatório para a Quarta Caminhada, a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) marcou presença, na manhã deste sábado, dia 10, na panfletagem de mobilização em São João de Meriti. O frei Athaylton Jorge Monteiro Belo, mais conhecido como frei Tatá, esteve à frente do evento, junto à superintendente de Promoção de Políticas Públicas de Igualdade Racial (Suppir-Meriti), Leila Regina Silva Soares. Marcaram presença também a superintendente de Integração com a Sociedade Civil (Supisc), Angélica de Jesus Santos; o interlocutor da Comissão, babalawo Ivanir dos Santos; e Padre Gegê, da Paróquia Santa Bernadete.

Frei Tatá destacou a importância da panfletagem para a Caminhada no próximo domingo, e ressalta a participação da Igreja Católica no evento. “A panfletagem é importante para a mobilização e para que mais pessoas tomem conhecimento do que está acontecendo e do que vai acontecer no próximo dia 18, em Copacabana. Estamos presentes desde a Primeira Caminhada, e a participação dos católicos vem crescendo, inclusive com a participação do arcebispo Dom Orani, que é fundamental”.

Também representante da Igreja Católica, Padre Gegê destacou que a luta por liberdade religiosa é diária. “É importante dizer que a caminhada acontece no dia a dia. Este ato reverbera o compromisso de construir um sonho de justiça, de liberdade religiosa”, disse.

Ivanir dos Santos fez um breve discurso nas ruas de São João de Meriti, chamando a população para a caminhada e alertando para os perigos da intolerância religiosa. “É importante que a sociedade perceba que o fascismo e o nazismo nasceram de uma suposta verdade absoluta, de uma verdade daqueles que acham que são os escolhidos, que apenas eles vão para o céu, e demonizam as religiões de matrizes africanas. Por isso, estamos aqui alertando a sociedade que o pensamento único é uma ameaça à democracia. Sendo assim, no dia 18 de setembro, estaremos na Orla de Copacabana, realizando a Quarta Caminhada.”

A superintendente Angélica de Jesus Santos ressaltou a importância da união de todos os segmentos nessa luta. “Que nós possamos congregar aqueles que têm fé, aqueles que não professam nenhuma religião, mas que acreditam que, em nome da humanidade, devemos caminhar pela paz e respeitar os direitos uns dos outros”.

Já a superintendente Leila Regina destacou a importância da participação do poder público nesse movimento. “É nossa missão, enquanto gestão pública, focar esse assunto e fazer com que o Estado assuma sua responsabilidade no combate à intolerância religiosa. O Estado é laico e precisa exercitar isso com mais transparência”, declarou.

A dirigente espiritual da Casa de Cláudia e vice-presidente do Movimento Umbanda do Amanhã (MUDA), Marilena Mattos, revelou suas expectativas para a Quarta Caminhada. “A Caminhada está tomando uma proporção longe da nossa visão. Encontramos apoio em todos os lugares que vamos”.

A panfletagem percorreu as ruas de São João, e todos os presentes foram convidados para um almoço de confraternização no Sport Club Meriti, realizado pelo MUDA.

Na parte da tarde, a Comissão seguiu para um girão no Ilé Asè d’ Ogun Jà Tenda Espírita Caboclo Pena Verde, no Cachambi, realizado por pai Renato d’Ogun- Já. O evento teve início às 18h, com uma mesa religiosa que contou com a presença de representantes de diversos segmentos. A bancada foi composta pelo babalawo Ivanir dos Santos; Og Sperle, representante dos wiccanos; Devorah Dara, da Comunidade Cigana; Raga Bhumi, dos Hare Krishnas; Sanin, representante dos Icamalês; Cristina Brito, do Kardecismo; Antonio Rocha, do Budismo; Padre Gegê; Fátima Dama, representante da Umbanda e o anfitrião, Renato. Mãe Aparecida d’ Oxalá, mãe de santo de Renato d’ Ogun-Jà, foi convidada a compor a mesa por Ivanir dos Santos.

Primeiro a falar, Ivanir agradeceu o apoio da Igreja Católica na realização da caminhada e citou a participação de Padre Gegê na panfletagem em São João de Meriti. Destacou também a possível participação de alguns evangélicos no evento de Copacabana e deixou claro o intuito da mobilização. “Esse não é um movimento religioso, é de religiosos por cidadania”, disse, e encerrou sua fala revelando suas expectativas para o futuro. “Estamos no início da Caminhada, mas, daqui a alguns anos, quem ganhará serão nossas crianças, que viverão em um País com igualdade e sem preconceito.”

Em seu discurso, Mãe Fátima Damas fez um pedido para que cada pessoa presente no evento levasse cinco pessoas à Caminhada, no próximo domingo. Disse também que essa semana será de muito suspense, e criticou o apoio dos órgãos públicos à Quarta Caminhada. “Políticos só enxergam o número de pessoas. Eles olham para nós e vêem o número de votos em nossas caras.”

Encerrando a mesa, o babalorixá Renato d’ Ogun-Já agradeceu a todos pela presença e também aqueles que não puderam comparecer ao evento. Ele pediu mais coragem às pessoas na hora de declarar sua religião. “Vamos nos unir e vencer esta luta, mas com a bandeira da paz, dando as mãos, e enfrentando a vergonha. Muito se deixa de fazer por vergonha. Nós temos que mostrar o que somos, e não esconder nossa religião por conveniência.”

Ao final da mesa, os participantes foram homenageados pela casa com um diploma, pelos seus serviços prestados ao combate à intolerância religiosa. E o evento continuou com um girão realizado nas dependências da Tenda espírita.


Comissão de Combate à Intolerância Religiosa
Comunicação CCIR/RJ

 

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