Seminário “Comunicação e Religião” discute pluralidade


Foto de Henrique Esteves

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), com patrocínio da Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) e apoio do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), realizou, na tarde de ontem (19), na Congregação Espírita Umbandista do Brasil (Ceub), mais um seminário pela liberdade religiosa. O tema discutido foi a comunicação. E os participantes debateram, entre outras coisas, o fato de os veículos de comunicação não se interessarem por mostrar as histórias das religiões.

O sacerdote wiccano e presidente da União Wicca do Brasil, que representa o segmento na CCIR, Og Sperle, deu início à conversa, expondo que achava necessário muito cuidado em todas as formas de expressão. “A mídia tem dificuldades em abranger a pluralidade das religiões. Como podem os veículos de comunicação não mostrarem as histórias das crenças”, questionou. “Por que a mídia não defende e mostra as histórias das religiões?

O coordenador de Comunicação da Comissão, Ricardo Rubim, disse que, por mais que pareça assustador, os veículos também são empresas e, por isso, os profissionais não têm autonomia para as escolhas de pautas. Porém, ressaltou que percebe falta de interesse dos jornalistas em aprender coisas essenciais dos diversos segmentos religiosos. “Os veículos têm interesses próprios, e os profissionais ficam muito presos a isso. É como qualquer empresa. No entanto, em ocasiões como as caminhada (em Defesa da Liberdade Religiosa), percebo que os jornalistas, muitas vezes, não sabem diferenças básicas das religiões. Acho que seria algo importante para nosso currículo, pois, na faculdade, estudamos teatro, cinema e quase tudo que envolve a vida humana. Mas não as religiões”, disse.

O interlocutor da CCIR, babalawo Ivanir dos Santos, completou ressaltando a importância da economia. “Sei que é difícil enxergar assim. Mas o viés econômico conta. O Budismo, por exemplo, é uma religião muito difundida na China e que, por aqui, o número de seguidores é pequeno. Porém, tem de se levar em conta que a Ásia, principalmente a China, tem países com milhões de ações nas bolsas de todo o mundo”, acrescentou. “As religiões minoritárias não possuem veículos de comunicação. No entanto, perceba como os judeus conseguem se articular bem para mostrar as atividades deles”, complementou.

Após ouvir o jornalista e o babalawo, Og ratificou a importância de todos conhecerem o essencial de cada grupo, e disse que seu segmento se importa com o reconhecimento das outras religiões.

Edna Santos, uma das representantes dos espíritas na Comissão, concordou com a necessidade de se trabalhar bastante a comunicação e contou que, por desconhecer o sagrado dos muçulmanos, em uma das caminhadas, sem querer, desrespeitou um seguidor. “Estávamos em cima de um dos trios, e a ventania acabou por embaraçar a roupa do sheik. Tentei ajudá-lo, mas não sabia que não era para tocá-lo. Foi constrangedor. Por isso, acho esses seminários aqui de extrema importância para todos. Tornamo-nos mais conhecedores da fé, dogmas e preceitos dos outros”, revelou.

A vice-presidente do Movimento Umbanda do Amanhã (Muda), Marilena Mattos, acrescentou na fala de Edna Santos os seminários que o grupo promove antes das caminhadas. “A Comissão abriu espaço para que conhecêssemos os outros segmentos, e nós do Muda fazemos questão de que todas as religiões participem. Com esse trabalho, acredito que damos bom exemplo e propagamos nossa união”.

Ao fim, o interlocutor da CCIR disse que o preconceito nunca é religioso e que é essencial estar atento para os motivos que levam um fiel a discriminar o outro. “Discriminação não é coisa de nenhuma religião. Quem leu a entrevista do bispo Macedo na ISTO É vê que ele deixa clara a intenção de transformar a Record na primeira rede de TV do Brasil, assim como também tem o ideal de transformar o Brasil num País de Cristo. Essa questão não é religiosa, e sim política”, finalizou.

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