Seminário “Diversidade Religiosa, Democracia e Estado Laico” defende plano pela liberdade religiosa

 

Seminário “Diversidade Religiosa, Democracia e Estado Laico” defende plano pela liberdade religiosa

Realizado na última quinta-feira, dia 22 de agosto, o encontro promovido pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) reforçou a importância da criação do Plano Nacional de Combate à intolerância Religiosa. O seminário contou com a presença de intelectuais, estudantes e representantes religiosos de vários segmentos, para ampliar o debate.

Na mesa de abertura, a representante do Arquivo Nacional, Maria Isabel de Oliveira, ressaltou que toda a ação no combate à intolerância religiosa, por mais que seja um caminho longo, é preciso ter início, como vem sendo feito por representantes que compõem a CCIR. “A discussão acerca da intolerância religiosa é muito extensa, mas o seminário foi um grande divisor de ideias e mobilização, para que a transformação venha com a consciência de todos”.

Fátima Damas, fundadora da Comissão, afirmou que “ainda temos muito trabalho pela frente, mas o nosso trabalho aqui é fazer com que a nova geração que vem por aí cresça num mundo com mais justiça e consciência”.

A democracia é um espaço de diálogo. Em uma cultura democrática se pode observar que o homem vale pelo o que prega e, neste encontro, não foi diferente. Muitos dos religiosos presentes defenderam seus segmentos e a importância dos mesmos na sociedade vigente. Contudo, o seminário como forma de diálogo serviu para unificar os desdobramentos, para refletir a intolerância em suas diferentes esferas, democracia, religião e estado laico.

A pergunta mais frequente em todas as mesas foi “o Estado é realmente Laico”? A dúvida sobre a posição do estado surge porque, segundo o representante da Igreja Católica, diácono Nelson Aguiar, o fundamentalismo promovido pelo estado reforça algumas verdades absolutas, que vão totalmente contra a ideia do pluralismo sadio. Indignado, Aguiar disparou “o papel do estado vem contra a vontade dos indivíduos”.

O representante dos mulçumanos, Sami Isbelle, completou. “É importante para os mulçumanos ter uma ética na política, para que, assim, se possa viver de forma igualitária”, ressaltou.

Sami, de forma cuidadosa, alfinetou a forma como as eleições políticas funcionam no Brasil, comparado a maneira islâmica de eleger seus eleitores. Nos países muçulmanos, o governante deve ser eleito pelo povo. Aquele deve ter a capacidade para exercer a função, regido pelos princípios da honestidade e justiça para com a população. Fugindo destes mandamentos, o acerto de contas, segundo o representante, será no dia do juízo final.

No que diz respeito à intolerância, a Comissão foi criada, principalmente, para tentar combater os diversos ataques sofridos por integrantes de segmentos neopentecostais aos templos de matrizes africanas.

Reconhecendo que a religião evangélica é a mais intolerante entre as outras, o pastor Marcos Amaral disse estar lutando para mudar esse histórico de violência religiosa.

Defendeu também a razão de que o estado não poder ser religioso. “O Estado tem que ser plural, respeitar as correntes. Estado é para todos, e a religião tem segmentos, diferente da democracia, saúde, educação etc. O Estado é corrupto na sua estrutura, a religião aponta para a melhoria de suas vertentes”, declarou.

O representante evangélico explicou a diferença entre pastor e pastor reformado, na qual é praticante. “O pastor reformado acredita na transformação do Estado, independente da posição religiosa dos seus governantes. Por exemplo, tanto faz se um governante é candomblecista ou budista. Para um pastor evangélico, isso não e possível. Eles tendem a buscar a aniquilação do diferente”.

O seminário teve muitos momentos calorosos, delicados, de troca de conhecimentos e reafirmação da importância do respeito à pluralidade existente nas religiões praticadas no Brasil.

“O estado é laico, porém deveria zelar pelos mais fracos, pelos que diariamente sofrem, os que são violados e violentados”, declarou o interlocutor da CCIR, babalawo Ivanir dos Santos.

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