Seminário também marca preparativos para III Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa

 

Créditos/ Al

“Liberdade religiosa e a construção de um mundo possível: diálogo religioso e a promoção da paz”. Esse foi o tema do I Seminário Estadual, promovido pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), realizado em 10 de setembro, no Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS-UFRJ), que reuniu líderes e representantes religiosos, autoridades policiais, professores universitários e estudantes. O encontro, patrocinado pela Secretaria de Políticas de Promoção Social da Igualdade Racial, foi composto por três mesas de debates, uma plenária de mobilização para a III Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, que acontecerá no dia 19 de setembro, na Praia de Copacabana, encerrando com o coquetel de confraternização.

O seminário foi aberto pelo interlocutor da CCIR, babalawo Ivanir dos Santos, que destacou a importância daquele evento para a reflexão sobre a intolerância religiosa que impera nos mais variados segmentos sociais, buscando ainda meios de solucionar a questão. Ivanir afirmou que um dos setores mais atingidos por este tipo de violência é a educação, interferindo diretamente na relação entre professores e alunos.

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A mesa redonda que discutiu o tema “Liberdade Religiosa e Promoção da Paz” foi composta pelos líderes religiosos, entre eles a presidente da Congregação Espírita Umbandista do Brasil (CEUB), sacerdotisa e dirigente espiritual do Templo Umbandista Vovó Maria Conga, Fátima Damas, o bispo auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, Dom Edson de Castro Homem, o pastor efetivo da Igreja Presbiteriana de Jacarepaguá, Reverendo Marcos Amaral, e o presidente da Sociedade Beneficente de Desenvolvimento Islâmico, representante muçulmano Salah Al-Din Ahmad Mohamad, além do Babalawo Ivanir dos Santos. Para Fátima Damas, o simples fato da entrada da comunidade umbandista em uma universidade federal para debater sobre a intolerância religiosa já representa um passo de gigante em direção ao fim deste preconceito. “Eu nunca imaginei que nós, umbandistas, entrássemos em determinados ambientes, como universidades, igrejas, mesquitas, templos presbiterianos”, disse.

 

Fátima falou ainda sobre a missão espiritual da Umbanda e sobre os avanços alcançados através da CCIR.

Em sua fala, Salah Al-Din Ahmad Mohamad esclareceu alguns preceitos do Islamismo e seus mitos, destacando os maiores preconceitos e estigmas que os mulçumanos sofrem no mundo. Mohamad acredita que, no Brasil, o governo pode desenvolver programas informativos sobre as religiões, como medida para combater a intolerância religiosa, assim como rever o Estatuto de Igualdade Racial.

O Rev. Marcos Amaral considerou as iniciativas da CCIR, incluindo o seminário, plenárias e a Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, como movimentos em favor da liberdade de expressão, respeito à vida e ao ser humano. Ele desenvolveu no seu discurso uma linha de reflexão sobre os comportamentos arbitrários da própria comunidade evangélica, que, segundo o reverendo, está muito preocupada com os valores de poder, enquanto poderia dar mais atenção às verdadeiras práticas religiosas. Para o reverendo, o preconceito vem das sólidas construções sociais e uma das formas de se vencer os valores religiosos negativos é dando muitos passos, assim como a CCIR está fazendo.

Dom Edson Castro Homem falou sobre a purificação das religiões, os aspectos históricos e entrou no campo da crítica sociológica. O líder católico definiu a Caminhada como uma ação de promoção da vida e disse que a intolerância religiosa finda com o diálogo franco e reflexivo. “É um escândalo a divisão das igrejas”, enfatizou Dom Edson em seu discurso sobre ecumenismo.

A segunda mesa do dia abordou o tema “Panorama da Intolerância no Contemporâneo e a Atuação da CCIR”, com as participações do delegado Henrique Pessoa, da Ucam e do professor Paulo Gabriel Hilu, da InEAC da Universidade Federal Fluminense.

Apresentando um panorama alarmante, o delegado Henrique Pessoa citou casos emblemáticos de crimes religiosos, registrados nas delegacias em que ele trabalhou. Pessoa atribuiu o aumento de denúncias e registros de violência contra religiosos nas delegacias ao artigo 20 da Lei Caó, que entrou em vigor em 1989. Segundo ele, na maioria dos casos, as vítimas são praticantes de religiões de matrizes africanas e os autores são evangélicos neopentecostais. Como medida preventiva, Pessoa criou na Policía Civil o Núcleo de Combate à Intolerância Religiosa, e ele mesmo ministrou aulas sobre este tema nas novas turmas para detetives. “Os resultados vieram devagar, mas de forma satisfatória e com efeito multiplicador, pois os policiais levavam o aprendizado para suas unidades policiais”, contou o delegado.

Na terceira mesa redonda, os professores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Renato Nogueira e Renata Rosental deram uma verdadeira aula sobre História das Religiões, com seus aspectos mitológicos, sociais e linguísticos, delineando o fenômeno da intolerância religiosa em todo mundo.

Na Plenária de Mobilização para a III Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, Ivanir dos Santos afirmou que os principais objetivos deste movimento iniciado pelos religiosos mais discriminados, os de matrizes africanas, são: a unificação das religiões, a promoção do diálogo e identificação das semelhanças entre as religiões, pois estes são os fortes elementos em favor da paz. O babalawo comentou a atuação da CCIR e convocou a todos para a caminhada deste ano, que pretende reunir cerca de 150 mil pessoas na Orla de Copacabana. Nos dois anos anteriores, a caminhada contabilizou a participação de mais de 100 mil religiosos de todos os estados nacionais, no Rio de Janeiro, e a integração de diversas manifestações religiosas. Estiveram presentes no seminário representantes de umbandistas, candomblecistas, católicos, judeus, mulçumanos, kardecistas, wiccanos e hinduístas.

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