Sexta Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa quer reunir 300 mil em Copacabana

 

No próximo dia 08 de setembro, a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) realizará mais uma Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, a partir das 11h, na Praia de Copacabana. Com a intenção de colocar cerca de 300 mil pessoas na Avenida Atlântica, o grupo volta à Princesinha do Mar para mostrar que, independente do credo e também o fato de não crer em alguma coisa, o bom convívio entre cidadãos é possível. As principais apresentações culturais ficam por conta dos cantores Dudu Nobre, Marcelinho Moreira e Grupo Jaqueira. Representantes de todos os credos participarão da coletiva de imprensa, às 9h, no Clube Israelita Brasileiro (CIB). O evento conta com o Governo do Estado do Rio de Janeiro como um de seus patrocinadores.

As caminhadas em Defesa da Liberdade Religiosa começaram em 2008, quando um grupo de fiéis da Umbanda e Candomblé foi expulso de uma comunidade na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio de Janeiro, por traficantes convertidos a segmentos neopentecostais. A fim de chamar a atenção das autoridades ao fato, religiosos foram para as escadarias da Alerj. Em seguida, por iniciativa do interlocutor da Comissão, babalawo Ivanir dos Santos, surgiu a ideia de se fazer uma caminhada pacífica, em que se mostraria para a sociedade o perigo de uma religião se sobrepor. “Vivemos em um Estado laico. Não se pode admitir que uma crença ou religião mostre-se como a melhor e demonize as demais. Isso é fascismo”, diz Ivanir dos Santos, que comenta o momento atual, em que o Ministério Público investiga a mesma forma de coerção, em locais como Vaz Lobo e Vicente de

 

 

Carvalho. “No último dia 03, denunciamos a possível ação de bandidos que se dizem religiosos e impedem cultos afros”.

A denúncia relata que centros espíritas estariam sendo invadidos e seus frequentadores ameaçados por usarem roupas brancas. Os autores das agressões se apresentam como integrantes do tráfico de drogas e ordenam o fim das atividades nos locais.

Protestos nas ruas

A Sexta Caminhada ratifica os movimentos que, desde junho, vêm tomando as ruas do País, com a intenção de reivindicar direitos. No entanto, diz o babalawo, estão longe de qualquer tipo de ação violenta. “A Comissão vai às ruas há seis anos, e nunca nos manifestamos com qualquer ato de baderna ou vandalismo. A intenção é chamar atenção da sociedade para a necessidade do respeito, dos direitos de todos e, claro, do amor ao próximo, pois é o princípio pregado por qualquer religião. Sempre foi e sempre será de forma pacífica. Queremos a implementação da Lei 10.639/03 (institui os ensinos das histórias da África e da Cultura Afro-brasileira nas escolas do Brasil) e a formulação do Plano Nacional de Combate à Intolerância Religiosa”, revela dos Santos.

A marcha, em 2008, surpreendentemente, reuniu 20 mil pessoas na Avenida Atlântica, com religiosos de matrizes africanos; na Segunda Caminhada, outros segmentos aderiram à causa e somaram 80 mil fieis; em 2010, cerca de 120 mil compareceram à Caminhada; em sua quarta edição, 180 mil pediam pelo respeito entre as religiões; no ano passado, 210 mil foi o número alcançado em defesa da liberdade religiosa.

Adesão

Com a maior participação da população a cada ano, Ivanir dos Santos acredita que, após seu encontro com o Papa Francisco e a exibição do programa “Na Moral”, mais pessoas se deram conta da importância da liberdade religiosa. “Quando encontrei o papa e aceitei ir ao “Na Moral”, sabia que não falava por mim, mas por todos aqueles que sentem a intolerância religiosa no mundo inteiro e de todas as formas. Como sacerdote, tenho compromisso com o Sagrado e, por isso, não falo o que quero. A maioria dos participantes é de religiosos, mas isso não quer dizer que não respeitamos os ateus, agnósticos. Ao contrário: somos a favor do direito de eles não terem fé. A caminhada não é para discutir prática religiosa de ninguém, e sim para defender o direito de todos os cidadãos”, disse.

A Sexta Caminhada tem concentração marcada para 11h, no Posto Seis e, diferente dos outros anos, irá até a altura da Rua Prado Júnior, onde as principais atividades culturais se apresentarão, a partir das 15h30.

O CIB fica à Rua Barata Ribeiro, 489 – Copacabana.

 

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