Shirin Ebadi fala sobre intolerância religiosa em encontro com CCIR, que lançou cartaz da 4ª Caminhada

 

Prêmio Nobel da Paz em 2003, Shirin Ebadi esteve, no último dia 11 de junho, com a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), no Sindicato dos Bancários, no Centro do Rio. A visita da muçulmana deu início a uma programação que visa a alertar o mundo sobre a importância da liberdade dos Yarán, líderes bahá´ís que estão presos no Irã, há três anos. Cerca de 200 pessoas de diversos segmentos religiosos estiveram com a iraniana e apoiaram a manifestação pela liberdade das lideranças.

“No Irã, o preconceito religioso é apenas mais uma forma de discriminar. Para que tenham uma ideia, a vida de um homem vale a de duas mulheres. Quem não segue a religião oficial perde, inclusive, direito a heranças. É uma coisa terrível!”, disse Ebadi aos religiosos.

Ela também contou sobre seu trabalho como advogada e ex-juíza e citou a militância. “Defendo e defendi o direito de pessoas que escolheram a religião Bahá´í. No mundo inteiro, há problemas relacionados a religiões, mas é preciso acabar com isso de qualquer forma. Gostaria muito de pedir a todos que leiam meu discurso na íntegra na ocasião em que recebi o Nobel. Tive a oportunidade de relatar muitas coisas que não tenho como falar hoje devido ao tempo, que é curto. Mas quero muito que leiam e reflitam”, pediu.

A iraniana falou por cerca de 40 minutos. Um intérprete traduzia as frases da advogada para o público, que, após ouvi-la, também questionou.

“Gostaria que a senhora, como defensora dos direitos das crianças e mulheres, me falasse o que acha desta foto?”, perguntou Ahmed, presidente da Sociedade Beneficente de Desenvolvimento Islâmico, com uma imagem às mãos em que uma criança é pisoteada por um soldado, segundo ele, palestino.

“Como já disse, o tempo é curtíssimo e não tenho como falar sobre tudo o que gostaria. No entanto, é claro que este tipo de atitude é alarmante. Mas, no Irã, é possível ver esses atos e coisas muito piores com muita frequência. É justamente por isso que ando pelo mundo para chamar a atenção de que o caminho para a paz não é este”, declarou.

Em seguida, Diane Kuperman, representante da Comunidade Judaica na Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, dirigiu-se à palestrante e pediu para fazer algumas considerações. “Gostaria de ratificar que os judeus fazem parte de um povo que busca a paz e que sempre compartilhou a ideia do respeito ao próximo, independente de crenças. Não Podemos dizer que essa imagem de internet seja verdadeira, pois pode ser uma montagem. Como diretora de Diálogo Inter-Religioso da Federação Israelita do Rio de Janeiro, gostaria que aproveitássemos a oportunidade para mostrar os ótimos trabalho e desempenho da CCIR”.

Após responder a várias perguntas, Shirin Ebadi participou do lançamento da identidade visual da Quarta Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa e ouviu as palavras do interlocutor da Comissão, babalawo Ivanir dos Santos. “Este ano, optamos por não colocar imagens de religiosos ou fazer uso de símbolos. Gostaria muito que, nesta ocasião, todos se dessem conta de que quem mais perde com isso somos nós, de religiões de matrizes africanas. O cartaz é para que se tenha aderência de todos os segmentos. Antes, poderiam falar que não iriam expor em escolas, igrejas ou outros lugares devido às representações com guias, búzios e outros elementos. Mas esta identidade visual foi pensada exatamente para contemplar a todos”, disse o babalwo, referindo-se à fotografia de uma praia com pegadas na areia.

Ao final, o interlocutor entregou a Ebadi um relatório sobre os atendimentos às vítimas de intolerância religiosa assistidas pela CCIR e dois DVDs produzidos pelo grupo.


Comissão de Combate à Intolerância Religiosa
Ricardo Rubim – Coordenador de Comunicação CCIR/RJ
Tel.: 21 7846-0412 / 21 2273-3974

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