Solidariedade marca Feijoada de Ogum

Com 15 anos de caminhada, o Ilê Axé Aguemarê e a Tenda Espirita Caboclo Gira Mundo promoveram, neste sábado (03 de maio), no Grêmio Camisolão, em São Gonçalo, uma feijoada em homenagem ao orixá Ogum. Essa poderia ser mais uma ação de axé, se não fosse pelo objetivo.

“Estamos realizando esse evento para angariar fundos para as obras da casa “, conta a filha do templo e produtora da feijoada, Deni Moura. Segundo ela, há uma necessidade de levar a informação à comunidade sobre a história do povo negro. “Todos os nossos eventos têm palestras e debates para levar informação à população. Por isso, estamos realizando esse evento, com a intenção de levar a cultura e ajudar nossa casa de origem, o Ilê Ypondà”, completa Deni.

 

Resgate

 

E, se a proposta é informar, o babalawo Ivanir dos Santos fez como convidado do evento. O interlecutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) resgatou aspectos históricos da relação do samba e as religiões de matriz africana, e não poupou elogios ao ato de solidariedade. “A função dessa atividade é mais do que ajudar uma casa, mas sim a casa- mãe. Em nossa religião, há muito egoísmo. Esse é um gesto muito bonito que remete à família”.

Feijoada, muita dança e percussão  integraram a programação. Além de Ivanir dos Santos, entre os convidados, estiveram Elias de Logunedé, do terreiro Ifá Odu Ola, que abordou as relações de semelhança entre as nações; o príncipe do Benin Aboubakar Traore, que convidou todos a fazer uma oração em seu idioma; e o presidente da União Espirita de Umbanda do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Novo, que fez questão de convidar para a Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa (21 de setembro). “Solidariedade é fundamental a toda religião. A Caminhada é esse momento em que todas as religiões se unem contra a intolerância. Por isso, é fundamental marcar presença”, frisou.

A feijoada integra o Projeto Tambores que Dançam, que tem como objetivo resgatar a história dos tambores e suas presenças em diferentes manifestações culturais, como no reggae, no tambor de crioula, no jongo e no axé. Apesar da distância, o grupo Associação de Mulheres de Ação e Reação do Vidigal atravessou a ponte para marcar presença, sob o convite da produtora Deni Moura. As garotas representaram o toque feminino, através do projeto Batuque Matriarcal, e prestaram serviços de saúde, com aferição de pressão arterial e medição de glicemia.

Em um mapeamento superficial, o zelador de orixá Paulo Eduardo identificou que, na região de São Gonçalo, há, aproximadamente, duas mil pessoas de axé de tradição nagô, um dado que revela a dimensão da força

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